Categoria: Museus

Categoria Master, relacionada aos grupos do aplicativo Xemele.social.

  • Fediverso: um experimento com redes sociais descentralizadas, e museus

    Fediverso: um experimento com redes sociais descentralizadas, e museus
    Uma rede social para abrigar museus / instituições de memória de interesse público, e que os dados da interação com sua audiência fique também preservado, como acervo digital, e para pesquisa.
    https://brasiliana.museus.gov.br/fediverso-um-experimento-com-redes-sociais-descentralizadas-e-museus/
    #museus

    Existe um mal estar na Internet.

    Foram muitas as crises vividas nos últimos anos como consequência direta de problemas envolvendo as redes sociais gerenciadas pelas empresas conhecidas como BigTech. Em 2023 culminou entre especialistas e políticos, no Brasil e no exterior, a percepção de que o serviço gratuito prestado por tais empresas — contaminado com esquemas agressivos de vigilância para oferta de anúncios customizados — estariam prejudicando a saúde e o bem estar dos cidadãos usuários, especialmente os jovens. O problema da desinformação, por seu lado, estaria criando ameaças aos regimes democráticos.

    No último post do blog, “sobre a importância de uma política de memória digital“, mencionamos como as BigTech tornaram-se monopólios que acabam por dificultar o acesso a conteúdos que podem ser de interesse público, e que diferentemente de universidades e instituições de memória, tais empresas não garantem a preservação para acesso desses conteúdos no futuro. De onde observamos, percebemos no momento atual uma perspectiva de mudança na web, e os sinais indicam que “algo verdadeiramente novo e diferente pode acontecer” na forma como nos comunicamos online [1], [2], [3] e [4]. Aparece uma palavra nova: “Fediverso”.

    How to fix the internet

    Como consertar a internet
    “Vivemos um momento peculiar na Internet, e todos sentimos os problemas. Mas há algo no ar, uma atmosfera de mudança. Pela primeira vez em anos, algo verdadeiramente novo e diferente pode estar acontecendo na forma como nos comunicamos online. O domínio que as grandes plataformas sociais exerceram sobre nós na última década está enfraquecendo. A pergunta é: o que queremos que aconteça a seguir?
    (How to fix the internet – MIT Technology Review – 17/10/23)

    A oportunidade do Fediverso
    Há uma oportunidade neste momento para o ambiente das mídias sociais: uma chance rara de implodir os muros, reconstruindo o sistema peça a peça, e de forma muito melhor. Se fizermos corretamente — se o novo modelo for construído para servir humanos, e não anunciantes — teremos algo muito mais importante: uma infraestrutura comum totalmente nova para nossas vidas online, que não é controlada por nenhuma empresa ou plataforma.
    (2023 in social media: the case for the fediverse – The Verge – 19/12/23)

    Fediverso em ascenção
    O que importa é como os usuários serão atendidos em um modelo no qual cada um de nós controla nossas personas públicas. Essa mudança tem o potencial de alterar não apenas nossas expectativas sobre o conteúdo que compartilhamos e consumimos, mas também nossa compreensão do que constitui uma troca de valor honesta e justa com as BigTech. É estranho reconhecer que um grande impulsionador dessa mudança será a Meta, que já começou a “federar” seu serviço Threads.
    (Predictions 2024: It’s All About The Data – SearchBlog – 27/12/23)

    A Internet pode pirar novamente
    “Vivemos uma era dramática e tumultuada na internet. Mais do que qualquer coisa, é um momento em que a internet parece pronta para mudanças, talvez até aberta a uma nova geração de tecnologias e comunidades que poderiam remodelar a maneira como ela funciona. Milhões de pessoas parecem prontas para se conectar de maneiras inovadoras, enquanto repensam sua relação fundamental com a tecnologia.”
    (The Internet Is About to Get Weird Again – Rolling Stone – 30/12/23)


    O cenário atual no universo das redes sociais, conforme apresentado na mídia especializada internacional (acima), somado à predileção especial do brasileiro por este modo de comunicação online, nos levaram a imaginar que uma política pública para o campo, em um país com a escala do Brasil e aproveitando do momento propício, poderia causar um efeito demonstrativo relevante. Por isso o Ibram entende que é oportuno a realização de um experimento com redes sociais federadas, e museus — instituições de memória.

    Mas afinal, o que são redes sociais federadas?

    O termo “Fediverso” é uma combinação das palavras “universo” e “federação”. Trata-se de um ambiente digital que congrega redes sociais, onde as pessoas podem se conectar e compartilhar conteúdos. A diferença é que, em vez de depender de uma única empresa ou site gigante, existem muitos “planetas” diferentes (servidores) que se comunicam entre si nesta “Federação”. Este universo tornou-se possível com a criação do protocolo ActivityPub* em 2016 pelo W3C**, o qual permite a criação, atualização e exclusão de conteúdo em redes descentralizadas.

    Essa abordagem descentralizada permite que usuários de diferentes plataformas interajam uns com os outros, compartilhem conteúdo e sigam usuários de outras instâncias. O objetivo é criar uma rede social mais diversificada e distribuída, evitando a centralização de dados e o controle por parte de grandes corporações. Importa para os museus, por exemplo, que se houver um serviço de rede social que se disponha a abrigar instituições de memória de interesse público, que os dados da interação dos museus com seu público interessado fique também preservado, como acervo digital, e para pesquisa.

    Desde a criação do protocolo ActivityPub, várias aplicações foram criadas para operar de maneira “federada” neste universo. Dentre as aplicações, a mais conhecida e utilizada é o Mastodon, que replica a experiência de uso do Twitter como interface para o acesso e postagem de conteúdos. Outras aplicações conhecidas incluem o PeerTube (compartilhamento de vídeos, como o YouTube), o Pixelfed (replica o Instagram), o Mobilizon (aplicação para eventos), e até as redes mais ‘antigas’ como Diaspora (1ª “alternativa” ao Facebook) e Friendica encontram uma forma de se conectar com o Fediverso. Abaixo, um mapa da atual configuração do Fediverso.

    O diferencial significativo do protocolo ActivityPub é a implementação de um único gráfico social — o registro de quem seguimos, e quem nos segue na rede — e de um sistema de compartilhamento de conteúdo próprio, os quais neste protocolo não estão sob o domínio de nenhuma empresa de tecnologia. As aplicações necessárias para gerir a conexão com este ambiente — o Mastodon, e os demais — são desenvolvidas por iniciativas autônomas e em geral operam em regime open source, portanto, instituições interessadas em promover a preservação de seus conteúdos, e gerir de maneira autônoma suas conexões de rede social, podem utilizar estas ferramentas.

    A boa notícia, anunciada pela meteórica perda de relevância do X-Twitter, é que alguns dos grandes players da internet começam a perceber que a era dos monopólios nas redes sociais está no fim. A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, ao perceber a fuga de usuários do X-Twitter, lançou o serviço chamado Threads, o qual já começa a experimentar a conexão de seus usuários com o protocolo ActivityPub. Isto aconteceu logo após a Automattic, que gerencia o WordPress, ativar um plugin ActivityPub que viabiliza a conexão de todos os blogs do WordPress.com como publicadores no Fediverso. Outra nova rede lançada recentemente para brigar pelo espólio do X-Twitter, a BlueSky — desenvolvida com financiamento do cofundador do Twitter Jack Dorsey —, também propõe um protocolo aberto para integração de aplicações de redes sociais descentralizadas, o ATProto, que pode dialogar com o ActivityPub. Ou seja, temos indicações dos bastidores da indústria que o momento é propício para apostar na popularização do Fediverso.

    É neste contexto que iniciamos um novo experimento da política pública brasileira no universo das redes sociais descentralizadas. Para inaugurar a iniciativa dos Museus brasileiros no Fediverso, iremos ativar o plugin ActivityPub no site WordPress da Brasiliana Museus, e este post será a primeira publicação de um domínio gov.br no Fediverso. Comentários a este post, originários do Fediverso, vão aparecer na seção de comentários abaixo. Trata-se de um início, uma experimento singelo mas que pode carregar grande significado. Torcemos para que seja o início de um movimento transformador na maneira como nós, como pessoas e como instituições, nos conectamos online, e que venha a proporcionar um aperfeiçoamento em nossa relação fundamental com o digital e com a web.

    (*) ActivityPub – O ActivityPub é um protocolo de rede social descentralizado e padrão aberto para a troca de atividades e atualizações entre diferentes plataformas e serviços. Desenvolvido como um padrão web pelo World Wide Web Consortium (W3C), o ActivityPub fornece um método para a interoperabilidade entre sistemas de rede social distribuídos.

    (**) W3C – O W3C, ou World Wide Web Consortium, é uma organização internacional que se dedica ao desenvolvimento de padrões para a World Wide Web. Foi fundado em outubro de 1994 por Tim Berners-Lee, o criador da Web, com o objetivo de garantir o crescimento e a interoperabilidade a longo prazo da Web.

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/fediverso-um-experimento-com-redes-sociais-descentralizadas-e-museus/

  • Sobre a importância de uma política para memória digital

    Sobre a importância de uma política para memória digital
    Neste momento paradigmático de chegada das aplicações de IA (inteligência artificial) ao público em geral, é fundamental e urgente o debate sobre a relação da tecnologia digital com a memória no contexto do patrimônio cultural.
    https://brasiliana.museus.gov.br/sobre-a-importancia-de-uma-politica-para-memoria-digital/
    #museus

    Imagem gerada no MidJourney, com o prompt: "A man standing, viewing various images appearing in horizontal planes flying in multiple directions around him, as if his memories are fading away like computer files being sucked into a giant 5 1/4-inch floppy disk."
    Imagem gerada no serviço MidJourney, com o prompt: “um ser humano de pé visualizando diversas imagens que se apresentam em planos horizontais que voam em múltiplas direções ao seu redor, como se fossem suas memórias que vão se apagando como arquivos de computador.

    Trinta anos ou mais já se vão desde que a cultura entrou em processo de digitalização, o qual se torna cada vez mais intenso e omnipresente. Isto se dá contando com uma infraestrutura realizada por empresas estrangeiras de tecnologia, e seguimos sem uma reflexão séria no Brasil sobre a importância de uma política nacional de preservação para a memória digital do patrimônio cultural brasileiro. No momento em que nos preparamos para mais um salto de paradigma tecnológico no ambiente digital, com a chegada das aplicações de IA (inteligência artificial) ao público em geral, nos parece fundamental e urgente promover debate aprofundado sobre a relação da tecnologia digital com a memória no contexto do patrimônio cultural.

    A ascendência da mídia digital altera drasticamente algumas definições estabelecidas de “memória cultural” baseadas na lógica dos arquivos impressos, que veio a concretizar o modelo de funcionamento de arquivos, bibliotecas e museus no século 20. Em seu livro “Rogue Archives”, Abigail De Kosnik nos recorda que “desde o final do século 19, a memória – não a memória individual privada, mas a memória pública, coletiva – foi domínio no estado.” Já no século 21, as práticas da cultura digital impulsionam fluxos dinâmicos e imprevisíveis que vêm redefinindo e ampliando o conceito de maneira constante nos últimos anos.

    Especialmente a partir de 2002, com a chegada da web 2.0 (conhecida como a ‘web de leitura e escrita’), as instituições de memória em escala global deixaram de cumprir seu papel de documentar e conservar o que é reconhecido como a memória cultural contemporânea, para o acesso de gerações futuras. Na realidade, nos primeiros anos da cultura digital (90s), a prática da preservação da memória digital envolveu em sua maior parte indivíduos que não possuem formação em ciências da informação, e carecem de suporte institucional. A despeito do interesse em ascensão por parte das instituições de memória em relação aos “acervos digitais” nos anos 2000, as práticas associadas a acervos na cultura digital emergiram principalmente e de forma mais vigorosa entre amadores, como fãs, hackers, piratas e voluntários.

    Em resposta à crescente demanda por “arquivamento” em formato digital, a década de 2000 viu surgir diversas modalidades de “publicação pessoal online” e seus “containers”, como blogs, wikis, gerenciadores de conteúdo (CMSs) e repositórios digitais. Na segunda metade da década, startups lançaram numerosas iniciativas inovadoras para atrair usuários interessados em “postar” seus conteúdos online, muitas vezes sem uma consideração detalhada pelos termos de uso aos quais estavam sujeitos. Os serviços e suas startups foram então rapidamente assimilados pelas grandes corporações da internet, o que resultou em monopólios globais na disponibilização de conteúdos culturais digitais.

    Para a geração que acompanhou a chegada da web no Brasil a partir dos anos 90, e observou uma significativa revolução no universo da comunicação nos anos 2000, é difícil compreender como toda a liberdade e equanimidade promovida pelo protocolo TCP/IP veio a tornar-se algo completamente diferente nos anos 2010. O advento das mega plataformas digitais como Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp), Google (Orkut, YouTube, Android App Store), Apple (iPhone App Store), eX-Twitter, entre outras, reintroduziu no ambiente digital os poderosos intermediários que pensamos haver transcendido ao migrar da cultura das ondas analógicas, com seus gatekeppers, para a Web ‘aberta e descentralizada’.

    Ao favorecer as plataformas e o conforto de suas funcionalidades bem resolvidas, perdemos a noção da necessidade de uma infraestrutura digital pública, e esvaziamos o espaço democrático da inernet aberta. As grandes corporações que engoliram as startups tornaram-se monopólios (1) nos quais o acesso a esses conteúdos passou a ser regulado por algoritmos proprietários e opacos, sem qualquer transparência, e (2) que não oferecem nenhuma garantia de preservação dos conteúdos no decorrer do tempo. Entendemos que o momento é propício para que instituições de memória e universidades assumam o seu papel na implementação da política pública de memória digital.

    Para ilustrar o volume da perda, é relevante recordar o caso do Orkut no Brasil. Criada pelo Google em 2002, a plataforma encerrou suas funcionalidades dinâmicas em 2014, mantendo seu conteúdo disponível para download até meados de 2016. O patrimônio cultural ali gerado e armazenado deveria ter evoluído para um acervo, servindo como fonte de pesquisa sobre a produção de capital social e cultural de uma nação, e, principalmente, como registro da dinâmica social de interconexão em rede do povo brasileiro, que se destacou na época por seu caráter único, e por números de participação estrondosos. Para se ter uma ideia da magnitude do que foi perdido, o “Arquivo de Comunidades do Orkut”, que abrangeu grupos públicos de janeiro de 2004 a setembro de 2014, contou com mais de 51 milhões de comunidades, 120 milhões de tópicos e mais de 1 bilhão de interações *

    Caso o modelo de memória pública institucional, no qual o Estado desempenha um papel central, não mais atenda às exigências de registro e preservação da memória cultural, agora predominantemente gerada e armazenada em meios digitais, torna-se crucial a formulação de projetos que explorem novos modelos de sustentabilidade e governança para acervos culturais públicos, ou comuns. O cenário apresenta numerosas e complexas questões, assim como os desafios técnicos, sociais e políticos associados à criação de novas experiências e práticas nesse contexto, mas precisamos de atitudes concretas e urgentes.

    A parceria do Ibram com as Universidades, no desenvolvimento e implementação do projeto Tainacan, é exemplo de estratégia com este objetivo. O Tainacan é uma ferramenta flexível e poderosa baseada em WordPress, que permite a gestão e a publicação de coleções digitais com a mesma facilidade de se publicar posts em blogs, mas mantendo todos os requisitos de uma plataforma profissional para repositórios. Oferecer esta ferramenta como possibilidade de autonomia para as instituições de memória publicarem seus acervos digitais de maneira organizada e integrada na Internet constitui, em si, um passo estruturante na organização do campo dos acervos digitais de cultura no Brasil.

    Mas trata-se apenas de um começo, um estágio inicial no caminho para uma política nacional. E somente uma política nacional poderá estabelecer a bases para um projeto sustentável que garanta a preservação digital do que importa guardar na perspectiva do interesse publico.

    É pertinente destacar que, no momento em que o poder público fomenta reflexões sobre políticas públicas envolvendo Inteligência Artificial (IA), serão as bases de dados que abrigam conteúdos textuais, audiovisuais, e seus metadados, a principal matéria prima para modelos de linguagem (LLMs) que potencializam serviços como o ChatGPT. A organização dos acervos do patrimônio cultural a partir de uma política pública, potencializa a criação de serviços de IA especializados em informação cultural de interesse comum, e pode alavancar um novo campo para pesquisa e desenvolvimento com base na riqueza da diversidade cultural brasileira.

    O Ibram, com o lançamento da ‘Brasiliana Museus’, almeja conceber e propor iniciativas que impulsionem as instituições de memória a integrar arranjos coletivos para a organização e preservação digital do patrimônio cultural brasileiro. Para 2024, o Ibram planeja explorar possibilidades de implementação, em termos de arquitetura de rede para arquivamento web, de um framework técnico para preservação digital de websites de museus. Ainda no tema da memória digital, está previsto o lançamento experimental de uma aplicação de rede social que comporte protocolos de preservação e acessibilidade dos conteúdos postados, a ser ofertada como alternativa para os museus brasileiros dialogarem com seus públicos online.

    Queremos abrir o diálogo sobre o tema com todos os interessados, e seguiremos postando atualizações sobre estes e outros projetos do Ibram para o campo da cultura e da memória digital, aqui neste espaço.

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/sobre-a-importancia-de-uma-politica-para-memoria-digital/

  • Brasiliana Museus é lançada, já em processo de expansão

    Brasiliana Museus é lançada, já em processo de expansão
    No último dia 12/10 aconteceu o lançamento do serviço Brasiliana Museus, a “plataforma do patrimônio museológico brasileiro”, uma produção do Ibram com a marca do MinC de Margareth Menezes.
    https://brasiliana.museus.gov.br/brasiliana-museus-e-lancada-ja-em-processo-de-expansao/
    #museus

    O auditório do Museu Paulista, em São Paulo, recebeu a concorrida
    cerimônia de lançamento do Brasiliana Museus.

    O dia do lançamento foi emocionante para quem esteve de alguma forma envolvido com o Projeto Tainacan nestes quase 10 anos de sua existência. Para a turma da cultura digital, e para aqueles engajados em iniciativas em torno de uma política nacional para acervos digitais de cultura baseada em tecnologias livres, o evento serviu para renovar as esperanças sobre a retomada de iniciativas em prol de uma “infraestrutura pública digital”.

    Sec. de Economia Criativa e Fomento Cultural do MinC, Henilton Menezes

    Representando o MinC, o Secretário de Economia Criativa e Fomento Cultural, Henilton Menezes, informou que a Lei Rouanet está de volta com os planos anuais e plurianuais, que atendem de maneira mais adequada aos museus brasileiros — grandes captadores do sistema. No clima do evento, o Secretário indicou também a possibilidade de inclusão de planos específicos para a digitalização de acervos, que possam colaborar com a qualificação das imagens digitais do patrimônio cultural brasileiro, em sintonia com as diretrizes propostas pelas nascente Rede Brasiliana.

    Os presentes puderam perceber emoção também entre os especialistas que representaram os quatro projetos que já iniciaram as tratativas para inclusão de suas coleções na rede que o “Brasiliana Museus” inaugura: o (1) “Museu do Ipiranga”, o (2) “Museu da Pessoa”, o (3) “Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS”, e a (4) “Mediateca Capixaba”. Dentre os projetos, três já utilizam o Tainacan, e puderam testemunhar os aspectos inovadores que o Tainacan acrescenta ao dia-a-dia da lida dos especialistas na organização e na disponibilização de seus acervos online. A presença do “Museu da Pessoa” — que não utiliza o Tainacan — entre este grupo inicial demonstra como o uso da aplicação desenvolvida pelo Ibram não é pré-requisito para a adesão à Rede Brasiliana.

    Fernanda Castro apresenta Brasiliana Museus

    Importante dizer que esta ampliação de escopo do serviço Brasiliana já no momento de seu lançamento foi determinação da gestão Margareth Menezes / Fernanda Castro (MinC-Ibram). O serviço foi inicialmente pensado no Ibram como um agregador restrito aos museus do Ibram, programado para ser lançado como “Plataforma Acervo em Rede”. A gestão trouxe nova orientação, e o serviço foi redimensionado para já no momento de seu lançamento, abrir o processo de inscrição para todos os museus brasileiros interessados em fazer parte da Rede. A decisão sinaliza a compreensão do Ibram sobre seu papel de articulador de políticas de cultura digital, e aponta a sinergia da Brasiliana Museus com projetos internacionais de agregação de acervos culturais como Europeana, Gálica, Mexicana, dentre outros.

    Para seguir aumentando a escala dos projetos do Ibram, foi necessário acelerar a construção de capacidade no instituto em operar políticas públicas de Cultura Digital de maneira autônoma e para tal, foi, é, e será crucial a cooperação com a universidade pública. Tratou-se de transferir, para o Ibram, o arranjo que denominamos “Modelo de Gestão para a Inovação em Software Livre” (Métodos Ágeis), concebido e operado para a realização do Projeto Tainacan no âmbito de uma instituição pública em parceria com a rede acadêmica.

    Equipe do LabDev/CGSIM, com Dalton Martins,
    Luciana Martins e a presidenta Fernanda Castro.

    O LabDev, núcleo de suporte e desenvolvimento recém estabelecido na CGSIM (Coordenação-Geral de Sistemas de Informação Museal), é composto por jovens profissionais da Ciência da Informação — Museologia, Biblioteconomia, Arquivologia — que tiveram participação nas equipes de desenvolvimento do Tainacan nos últimos anos. Essa turma segue crescendo, e se capacitando no desenvolvimento de novas funcionalidades para a aplicação a partir de sua experiência no auxílio às equipes nos museus. É perceptível o entusiasmo com o trabalho realizado na iniciativa, e a sensação de que o ambiente digital apresenta quase que uma nova carreira para os especialistas em instituições de memória.

    Esta nova capacidade em inovação estabelecida no Ibram, por outro lado, permitiu à presidenta Fernanda Castro intensificar o uso das práticas de cultura digital nas demais iniciativas da casa, em especial na promoção da participação social. O (novo) Cadastro Nacional de Museus será lançado nos próximos meses com a inclusão dos Pontos de Memória, e em 2024 estará concluída a aplicação para operar o Inventário Nacional de Bens Culturais Musealizados – INBCM, que será desenvolvida em parceria com o Instituto Federal do Rio Grande do Norte.

    Grupos de Pesquisa envolvidos no desenvolvimento de novas
    frentes para evolução do Projeto Tainacan, e de sua comunidade.

    Para manter o ritmo de ampliação da atuação em pautas de cultura digital, a CGSIM/Ibram promove a articulação de novos parceiros para a evolução do Projeto Tainacan / Brasiliana. A imagem acima ilustra a rede que se desenha para ativar, em 2024, a atuação integrada de laboratórios de pesquisa de grandes universidades públicas no tema dos acervos digitais de cultura. Como dito por Fernanda Castro, ao palco do Museu do Ipiranga, “na CGSIM ainda não foi criado o setor para dizer NÃO, e por isso eu e o Dalton (Prof. Dalton Martins, Coordenador-Geral de Sistemas de Informação Museal do Ibram) seguimos dizendo SIM.”

    Prof. Dalton Martins, Coordenador da CGSIM/Ibram

    Logo após o lançamento do Brasiliana Museus em São Paulo, a presidenta Fernanda e o Coordenador-Geral Dalton seguiram para a Cidade do México, para participar do “Encuentro Patrimonio Digital en Internet: Experiencias en México y en Brasil”, de 18 a 22 de setembro de 2023. Na medida em que os colegas do projeto “Mexicana” começam a utilizar Tainacan para publicar os acervos digitais de vários dos museus de sua rede, o uso da tecnologia brasileira se alastra em um riquíssimo ecossistema museal. Ao informar o público presente de sua viagem ao México, e dos objetivos da cooperação, Fernanda desafia: “daqui há um ano estaremos aqui lançando a Americana, plataforma de patrimônio museológico para o continente America”.

    Importa dizer que a ausência de uma política nacional para amparar e garantir perenidade ao Modelo de Inovação em Software Livre hoje desenvolvido no Ibram, e à serviço de iniciativas públicas para acervos digitais, é um risco para a sustentabilidade da operação. Na perspectiva da CGSIM-Ibram, entendemos que o êxito em realizar um projeto de política pública de cultura digital com a utilização de software livre, em parceria com a universidade pública, deve ser reconhecido na medida de sua relevância estratégica para o futuro, e resultar na garantia de sua continuidade por parte do poder público.

    Texto: José Murilo
    Fotos: José Rosael

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/brasiliana-museus-e-lancada-ja-em-processo-de-expansao/

  • Brasiliana Museus é lançada, já em processo de expansão

    Brasiliana Museus é lançada, já em processo de expansão
    No último dia 12/10 aconteceu o lançamento do serviço Brasiliana Museus, a “plataforma do patrimônio museológico brasileiro”, uma produção do Ibram com a marca do MinC de Margareth Menezes.
    https://brasiliana.museus.gov.br/brasiliana-museus-e-lancada-ja-em-processo-de-expansao/
    #museus

    O auditório do Museu Paulista, em São Paulo, recebeu a concorrida
    cerimônia de lançamento do Brasiliana Museus.

    O dia do lançamento foi emocionante para quem esteve de alguma forma envolvido com o Projeto Tainacan nestes quase 10 anos de sua existência. Para a turma da cultura digital, e para aqueles engajados em iniciativas em torno de uma política nacional para acervos digitais de cultura baseada em tecnologias livres, o evento serviu para renovar as esperanças sobre a retomada de iniciativas em prol de uma “infraestrutura pública digital”.

    Sec. de Economia Criativa e Fomento Cultural do MinC, Henilton Menezes

    Representando o MinC, o Secretário de Economia Criativa e Fomento Cultural, Henilton Menezes, informou que a Lei Rouanet está de volta com os planos anuais e plurianuais, que atendem de maneira mais adequada aos museus brasileiros — grandes captadores do sistema. No clima do evento, o Secretário indicou também a possibilidade de inclusão de planos específicos para a digitalização de acervos, que possam colaborar com a qualificação das imagens digitais do patrimônio cultural brasileiro, em sintonia com as diretrizes propostas pelas nascente Rede Brasiliana.

    Os presentes puderam perceber emoção também entre os especialistas que representaram os quatro projetos que já iniciaram as tratativas para inclusão de suas coleções na rede que o “Brasiliana Museus” inaugura: o (1) “Museu do Ipiranga”, o (2) “Museu da Pessoa”, o (3) “Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS”, e a (4) “Mediateca Capixaba”. Dentre os projetos, três já utilizam o Tainacan, e puderam testemunhar os aspectos inovadores que o Tainacan acrescenta ao dia-a-dia da lida dos especialistas na organização e na disponibilização de seus acervos online. A presença do “Museu da Pessoa” — que não utiliza o Tainacan — entre este grupo inicial demonstra como o uso da aplicação desenvolvida pelo Ibram não é pré-requisito para a adesão à Rede Brasiliana.

    Fernanda Castro apresenta Brasiliana Museus

    Importante dizer que esta ampliação de escopo do serviço Brasiliana já no momento de seu lançamento foi determinação da gestão Margareth Menezes / Fernanda Castro (MinC-Ibram). O serviço foi inicialmente pensado no Ibram como um agregador restrito aos museus do Ibram, programado para ser lançado como “Plataforma Acervo em Rede”. A gestão trouxe nova orientação, e o serviço foi redimensionado para já no momento de seu lançamento, abrir o processo de inscrição para todos os museus brasileiros interessados em fazer parte da Rede. A decisão sinaliza a compreensão do Ibram sobre seu papel de articulador de políticas de cultura digital, e aponta a sinergia da Brasiliana Museus com projetos internacionais de agregação de acervos culturais como Europeana, Gálica, Mexicana, dentre outros.

    Para seguir aumentando a escala dos projetos do Ibram, foi necessário acelerar a construção de capacidade no instituto em operar políticas públicas de Cultura Digital de maneira autônoma e para tal, foi, é, e será crucial a cooperação com a universidade pública. Tratou-se de transferir, para o Ibram, o arranjo que denominamos “Modelo de Gestão para a Inovação em Software Livre” (Métodos Ágeis), concebido e operado para a realização do Projeto Tainacan no âmbito de uma instituição pública em parceria com a rede acadêmica.

    Equipe do LabDev/CGSIM, com Dalton Martins,
    Luciana Martins e a presidenta Fernanda Castro.

    O LabDev, núcleo de suporte e desenvolvimento recém estabelecido na CGSIM (Coordenação-Geral de Sistemas de Informação Museal), é composto por jovens profissionais da Ciência da Informação — Museologia, Biblioteconomia, Arquivologia — que tiveram participação nas equipes de desenvolvimento do Tainacan nos últimos anos. Essa turma segue crescendo, e se capacitando no desenvolvimento de novas funcionalidades para a aplicação a partir de sua experiência no auxílio às equipes nos museus. É perceptível o entusiasmo com o trabalho realizado na iniciativa, e a sensação de que o ambiente digital apresenta quase que uma nova carreira para os especialistas em instituições de memória.

    Esta nova capacidade em inovação estabelecida no Ibram, por outro lado, permitiu à presidenta Fernanda Castro intensificar o uso das práticas de cultura digital nas demais iniciativas da casa, em especial na promoção da participação social. O (novo) Cadastro Nacional de Museus será lançado nos próximos meses com a inclusão dos Pontos de Memória, e em 2024 estará concluída a aplicação para operar o Inventário Nacional de Bens Culturais Musealizados – INBCM, que será desenvolvida em parceria com o Instituto Federal do Rio Grande do Norte.

    Grupos de Pesquisa envolvidos no desenvolvimento de novas
    frentes para evolução do Projeto Tainacan, e de sua comunidade.

    Para manter o ritmo de ampliação da atuação em pautas de cultura digital, a CGSIM/Ibram promove a articulação de novos parceiros para a evolução do Projeto Tainacan / Brasiliana. A imagem acima ilustra a rede que se desenha para ativar, em 2024, a atuação integrada de laboratórios de pesquisa de grandes universidades públicas no tema dos acervos digitais de cultura. Como dito por Fernanda Castro, ao palco do Museu do Ipiranga, “na CGSIM ainda não foi criado o setor para dizer NÃO, e por isso eu e o Dalton (Prof. Dalton Martins, Coordenador-Geral de Sistemas de Informação Museal do Ibram) seguimos dizendo SIM.”

    Prof. Dalton Martins, Coordenador da CGSIM/Ibram

    Logo após o lançamento do Brasiliana Museus em São Paulo, a presidenta Fernanda e o Coordenador-Geral Dalton seguiram para a Cidade do México, para participar do “Encuentro Patrimonio Digital en Internet: Experiencias en México y en Brasil”, de 18 a 22 de setembro de 2023. Na medida em que os colegas do projeto “Mexicana” começam a utilizar Tainacan para publicar os acervos digitais de vários dos museus de sua rede, o uso da tecnologia brasileira se alastra em um riquíssimo ecossistema museal. Ao informar o público presente de sua viagem ao México, e dos objetivos da cooperação, Fernanda desafia: “daqui há um ano estaremos aqui lançando a Americana, plataforma de patrimônio museológico para o continente America”.

    Importa dizer que a ausência de uma política nacional para amparar e garantir perenidade ao Modelo de Inovação em Software Livre hoje desenvolvido no Ibram, e à serviço de iniciativas públicas para acervos digitais, é um risco para a sustentabilidade da operação. Na perspectiva da CGSIM-Ibram, entendemos que o êxito em realizar um projeto de política pública de cultura digital com a utilização de software livre, em parceria com a universidade pública, deve ser reconhecido na medida de sua relevância estratégica para o futuro, e resultar na garantia de sua continuidade por parte do poder público.

    Texto: José Murilo
    Fotos: José Rosael

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/brasiliana-museus-e-lancada-ja-em-processo-de-expansao/

  • 2015: “É o momento para se pensar em iniciativas inovadoras”

    2015: “É o momento para se pensar em iniciativas inovadoras”;
    Em entrevista ao Portal Brasil (em 25 de setembro de 2015), o coordenador-geral de Cultura Digital, José Murilo Costa Carvalho Jr, fala sobre desafios e avanços da preservação de acervos digitais da cultura brasileira.
    https://brasiliana.museus.gov.br/2015-e-o-momento-para-se-pensar-em-iniciativas-inovadoras/
    #museus

    Matéria de arquivo, publicada pelo Portal Brasil (www.brasil.gov.br) em 25/09/2015 às 18:54, recuperada via WayBackMachine (Archive.org)
    (Divulgação/Portal Brasil)

    A sede do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), em Brasília, recebeu nesta sexta-feira (25) a palestra Acervos Digitais de Cultura e os Caminhos para uma Política Nacional. O evento serviu para que a Secretaria de Políticas Culturais (SPC) expusesse as ações do Ministério da Cultura (MinC) para aprimorar a curadoria do acervo da cultura brasileira no ambiente digital, atualmente gerido por plataformas que não dispõem de vocação para a preservação da memória.

    Coordenador-geral de Cultura Digital da SPC, José Murilo Costa Carvalho Júnior falou ao Portal Brasil. Engajado no desenvolvimento de Política Nacional para o setor, ele tratou dos desafios para consolidá-la e dos avanços alcançados até agora por meio de ações do governo federal.

    “Nós temos hoje circulação de conteúdos, em meio digital, de um volume muito maior do que a gente sempre se acostumou a ter”, disse. “Eu diria que esses conteúdos não estão sendo guardados ou, pelo menos, eles estão sendo hospedados em serviços que não têm a vocação para a preservação desse conteúdo”.

    “Vamos aproveitar esse entusiasmo do brasileiro em utilizar as redes sociais para que ele interaja com esses acervos, mas não na plataforma estrangeira”

    Catalogação compartilhada 

    A participação da sociedade é fundamental na catalogação do conteúdo encontrado no ambiente digital. De acordo com Murilo, empresas norte-americanas se encarregam hoje dessa tarefa, sem levar em consideração a diversidade cultural brasileira, o que, por vezes, atrapalha a ação do Estado.

    “Da mesma forma como o público está acostumado a interagir com as pessoas e com os conteúdos nas redes sociais, a ideia da proposta é que ela promova esse espaço”, explica. “Vamos aproveitar esse entusiasmo do brasileiro em utilizar as redes sociais para que ele interaja com esses acervos, mas não na plataforma estrangeira”, conclui.

    A diversidade cultural brasileira 

    O coordenador-geral de Cultura Digital vê a diversidade cultural brasileira como um ingrediente diferenciado no processo de administração do acervo digital. Ele revelou que o retorno alcançado com a proposta de catalogação compartilhada estimulou a SPC a avançar nesse sentido.

    “De fato, a cultura brasileira cria um caldo muito interessante para esse processo”, afirmou. “A experiência que a gente teve de propor isso como solução técnica e a resposta que a gente já recebia de quem estava trabalhando nas coleções nos incentivaram a acelerar fundo nesse caminho. A gente acha que está criando uma solução para acervos digitais com esse tempero brasileiro”.

    Fonte:
    Portal Brasil, com informações do Ministério da Cultura
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    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/2015-e-o-momento-para-se-pensar-em-iniciativas-inovadoras/