Categoria: Museus

Categoria Master, relacionada aos grupos do aplicativo Xemele.social.

  • Ibram celebra a 24ª Semana Nacional de Museus com mais de 3 mil atividades em todo o Brasil

    Ibram celebra a 24ª Semana Nacional de Museus com mais de 3 mil atividades em todo o Brasil
    Sob o tema “Museus: unindo um mundo dividido”, a programação mobiliza mais de mil instituições
    https://www.gov.br/museus/pt-br/assuntos/noticias/ibram-celebra-a-24a-semana-nacional-de-museus-com-mais-de-3-mil-atividades-em-todo-o-brasil
    #museus

    Sob o tema “Museus: unindo um mundo dividido”, a programação mobiliza mais de mil instituições

    Fonte original: https://www.gov.br/museus/pt-br/assuntos/noticias/ibram-celebra-a-24a-semana-nacional-de-museus-com-mais-de-3-mil-atividades-em-todo-o-brasil

  • Museus, inovação e futuro: os 10 anos da Recomendação da UNESCO e os novos caminhos da pesquisa e tecnologia no Brasil

    Museus, inovação e futuro: os 10 anos da Recomendação da UNESCO e os novos caminhos da pesquisa e tecnologia no Brasil
    O caminho trilhado pelo Ibram é mais do que uma política institucional — é uma resposta concreta à chamada da comunidade internacional por museus mais conectados, sustentáveis e participativos.
    https://brasiliana.museus.gov.br/museus-inovacao-e-futuro-os-10-anos-da-recomendacao-da-unesco-e-os-novos-caminhos-da-pesquisa-e-tecnologia-no-brasil/
    #museus

    Em 2025, celebramos dez anos da aprovação da Recomendação da UNESCO sobre a Proteção e Promoção dos Museus e Coleções, sua Diversidade e seu Papel na Sociedade. Adotada por unanimidade durante a Assembleia Geral da Unesco em outubro de 2015, essa diretriz internacional consolidou o entendimento de que os museus são pilares do desenvolvimento sustentável, da diversidade cultural e da construção de sociedades mais inclusivas. Dez anos depois, a recente estruturação da Política de Inovação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) é parte das respostas para os desafios contemporâneos do setor.

    Em fevereiro de 2025, o Ibram publicou três portarias que inauguram um novo capítulo para os museus brasileiros no campo da ciência, tecnologia e inovação, e alinham o Instituto à Lei de Inovação brasileira, posicionando-o como uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT).

    Ibram-Museus inserido no Ecossistema de Inovação

    No Ibram, a principal conquista foi a criação do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT-Ibram), responsável por gerir políticas de proteção de criações, licenciamento, parcerias com empresas e transferência de tecnologia.
    Com a celebração dos 10 anos da Recomendação da UNESCO, é simbólico essa passo em direção dos valores ali expressos no documento: acesso à cultura, promoção da diversidade, pesquisa de ponta e inovação com impacto social. O caminho trilhado pelo Ibram é mais do que uma política institucional — é uma resposta concreta à chamada da comunidade internacional por museus mais conectados, sustentáveis e participativos.
    Neste marco histórico, a inovação não é apenas uma tendência: é um direito e uma necessidade. E os museus brasileiros poderão participar dessa transformação.

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/museus-inovacao-e-futuro-os-10-anos-da-recomendacao-da-unesco-e-os-novos-caminhos-da-pesquisa-e-tecnologia-no-brasil/

  • Building Bridges: From Museums to the Fediverse

    Building Bridges: From Museums to the Fediverse
    We are launching a public call to hire two specialized consultants. Their mission will be to design and implement a web communication framework that integrates Ibram’s digital services with decentralized (open) social networks adhering to the ActivityPub protocol.
    https://brasiliana.museus.gov.br/building-bridges-from-museums-to-the-fediverse/
    #museus

    In January 2024, we announced an ambitious new experiment in Brazilian public policy: exploring the potential of decentralized social networks. This initiative led to the creation of the social.museus.gov.br instance, where we began integrating the digital services of Ibram-Museus—such as Brasiliana Museus, MuseusBR, Visite Museus, and others—into the Fediverse. This was made possible by the Tainacan digital repository application, developed by Ibram-Museus in collaboration with Brazilian public institutes and universities. Designed as a plugin for WordPress, Tainacan allows for the activation of new functionalities through additional plugins. The release of the ActivityPub plugin in late 2023 was a game-changer, enabling WordPress installations to connect seamlessly with the Fediverse.

    Post from the “Brasiliana Museus” account on the Mastodon instance “Social.museus.gov.br”

    Our initial experiment involved publishing posts from this blog directly to decentralized social networks, resulting in a significant increase in traffic. Next, we activated the ActivityPub plugin on the MuseusBR website, which registers museums and memory sites. This allowed each registered museum to generate a post, effectively alerting the network to the existence of that institution. We soon realized that every item in museum collections published on Tainacan could become a post—or even a new profile—on the Fediverse, particularly for assets of broad public interest. This opened up exciting possibilities for services like Visite Museus and the Register of Missing Museum Assets, where information about events or museums could be automatically disseminated to followers on the Fediverse. Even the forum environment used in the Reconexões Project and during the National Museum Forum could benefit from Fediverse connectivity, expanding and enriching online debates.

    A Call to Action: Building an Open Social Web Communication Framework

    In light of these opportunities, we are launching a public call to hire two specialized consultants. Their mission will be to design and implement a web communication framework that integrates Ibram’s digital services with decentralized (open) social networks adhering to the ActivityPub protocol—all within a tight three-month timeline.

    Web Communication Consultant:
    until 10/02/2025 · 23:59 (BRA time)
    Web Technology Consultant:
    until 10/02/2025 · 23:59 (BRA time)
    Contratação de consultor na Modalidade PRODUTO PROJETO OEI/BRA/17/003 – TR 11158
    Termo de Referência
    Contratação de consultor na Modalidade PRODUTO PROJETO OEI/BRA/17/003 – TR 11162
    Termo de Referência
    We are seeking a professional with expertise in both the museum field and institutional social media management. Familiarity with decentralized social networks will be a significant advantage during the selection process. This consultant will be responsible for designing how Ibram’s digital services—Brasiliana Museus, MuseusBR, VisiteMuseus, the Register of Missing Museum Assets, the Online Forum environment, and Tainacan installations—can leverage the Fediverse to disseminate information effectively. While we start with Tainacan and ActivityPub, suggestions for additional plugins to enhance functionality are welcome. This role requires deep technical knowledge of WordPress, the ActivityPub protocol, and the Mastodon application. Proficiency in handling Tainacan and ActivityPub plugins, as well as the ability to configure a Mastodon instance in detail, will be highly valued. The consultant will be tasked with implementing the proposed technical arrangements and may also suggest innovative new solutions. Collaboration between the two consultants will be essential to achieving the initiative’s goals, and the open-source tools developed under this project should be reusable by other institutions or public projects.

    The Vision: A Decentralized Future for Civil Service Communication

    The ultimate goal of this collaboration is to create a framework that integrates Ibram’s digital services with decentralized (open) social networks, enabling automated content dissemination through institutional accounts on the social.museus.gov.br instance. This framework will facilitate the circulation of information about museum events and visits (Visite.Museus), digitized collections (Brasiliana.Museus + Tainacan in musei), online debates and workshops (Forum.Museus), missing museum assets (BensDesaparecidos.Museus), and comprehensive museum data (MuseusBR). Importantly, this information will actively engage decentralized social networks, moving beyond passive publication on institutional websites.

    Post from the “MuseusBR” service about the “Rebobina Museum” on the MuseusBR website

    This initiative represents one of the first strategies in Brazilian public policy to address the monopolistic control of commercial social networks by BigTech companies. By embracing decentralized technologies, we aim to reclaim public space on the internet, recognizing it as a medium for collective organization, cultural production, and social expression. And by fostering collaboration, innovation, and open-source development, we hope to create a model that other institutions and public projects can adopt.

    The internet is not just a tool but a space for social existence, movements articulation, and the creation of shared meaning. As such, the design and governance of digital technologies are inherently political issues. The time has come to reimagine the internet as a space for collective empowerment and cultural expression. Ibram believes that museums can lead the way in this transformation, and we invite you to join us in this journey toward a more inclusive and democratic digital future.

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/building-bridges-from-museums-to-the-fediverse/

  • Construíndo pontes, dos museus para o Fediverso

    Construíndo pontes, dos museus para o Fediverso
    Projeto “Museus no Fediverso” contrata: dois consultores (comunicação/tecnologia web) para conceber e implementar arranjo para integração de serviços digitais públicos e redes sociais descentralizadas aderentes ao protocolo ActivityPub, a partir da aplicação Tainacan.
    https://brasiliana.museus.gov.br/construindo-pontes-dos-museus-para-o-fediverso/
    #museus

    Em janeiro de 2024 anunciamos neste mesmo blog que estaríamos iniciando “um novo experimento da política pública brasileira no universo das redes sociais descentralizadas“. Neste período instalamos a instância “social.museus.gov.br“, e realizamos experimentos com a conexão dos serviços digitais do Ibram-Museus — a Brasiliana Museus, o MuseusBR, o Visite Museus, dentre outros — com o chamado Fediverso. Estas iniciativas foram possíveis pelo fato da aplicação de repositório digital Tainacan, desenvolvida pelo Ibram-Museus em parceria com institutos e universidades públicas, se apresentar no formato de plugin para o framework WordPress. Neste ecossistema, aplicações podem ativar novas funcionalidades “encaixando” plugins específicos, e para nós foi crucial o lançamento (ao final de 2023) do plugin ActivityPub, que viabiliza a conexão de instalações WordPress ao Fediverso.

    O primeiro experimento que fizemos foi a publicação direta dos posts deste blog no ambiente das redes sociais descentralizadas, e o resultado em termos de aumento na visitação foi surpreendente. Na sequência, ativamos o plugin ActivityPub no site que realiza o cadastro de museus e de pontos de memória, o MuseusBR, e observamos a possibilidade de que cada museu registrado resulte em um post, como um alerta na rede sobre a existência daquela instituição de memória. Percebemos que, no caso dos acervos dos museus publicados em Tainacan, cada item pode virar um post, ou mesmo um novo perfil no Fediverso — no caso de bens museais de amplo interesse. Imediatamente tratamos de imaginar que os serviços Visite Museus, e também o Cadastro de Bens Museais Desaparecidos, poderiam contemplar situações onde o disparo de informações sobre eventos ou museus a visitar, a partir dos serviços digitais do Ibram, ocorra como processos automatizados, com difusão direta para usuários “assinantes” (aqueles que passam a seguir a “conta”) do serviço específico no Fediverso. O ambiente de forum que utilizamos no Projeto Reconexões, e também por ocasião do Forum Nacional de Museus, também é candidato à experimentar a conexão com o Fediverso como recurso de ampliação e facilitação dos debates online.

    Post da conta “Brasiliana Museus” na instância Mastodon “Social.museus.gov.br”

    Neste contexto de oportunidades para o desenvolvimento de aplicações para o Fediverso, estamos lançando chamada pública para a contratação de dois consultores especializados. A ideia é que, em um tempo reduzido (3 meses), possamos conceber e implementar um arranjo de comunicação web que integre serviços digitais públicos e redes sociais descentralizadas aderentes ao protocolo ActivityPub. Para isso, pretendemos contratar um profissional de comunicação web que idealmente agregue conhecimento sobre o campo museal, e experiência na gestão de contas institucionais de redes sociais. A rara expertise no campo das redes sociais descentralizadas será bem avaliada nas entrevistas (anote aí!). A outra contratação diz respeito ao consultor em tecnologia, que neste caso demanda conhecimento sobre WordPress, o protocolo ActivityPub e a aplicação Mastodon: a habilidade em lidar com os plugins Tainacan e ActivityPub, e a capacidade de configurar no detalhe uma instância Mastodon, certamente vão contar positivamente na avaliação. Em nossa perspectiva, a chamada cria uma oportunidade para o desenvolvimento de ferramentas que viabilizem uma comunicação pública eficiente, e ao mesmo tempo a construção de infraestruturas públicas digitais realizadas com tecnologia livre e soberana.

    Consultor em Comunicação Web
    até 10/02/2025 · 23:59 (Hora BRA)
    Consultor em Tecnologia Web
    até 10/02/2025 · 23:59 (Hora BRA)
    Contratação de consultor na Modalidade PRODUTO PROJETO OEI/BRA/17/003 – TR 11158
    Termo de Referência
    Contratação de consultor na Modalidade PRODUTO PROJETO OEI/BRA/17/003 – TR 11162
    Termo de Referência

    Ao profissional de comunicação caberá conceber e desenhar como os serviços digitais do Ibram — Brasiliana Museus, MuseusBR, VisiteMuseus, Cadastro de Bens Musealizados Desaparecidos, o ambiente de Forum Online, e as instalações Tainacan com acervos digitalizados de museus — poderão tirar proveito dos arranjos possíveis, visualizando o tipo de informação a ser disparado para cada serviço / público atendido. Partimos do Tainacan e do ActivityPub, mas a sugestão de outras possibilidades em termos de plugin, para agregar outras funcionalidades, será bem-vinda. Neste aspecto poderá somar também o profissional de tecnologia, que deverá dominar o conhecimento técnico para instalação e configuração dos arranjos concebidos, e idealmente estar em condições de sugerir novas e interessantes implementações. Entendemos que uma boa comunicação e sintonia entre os consultores contratados será crucial para que possamos alcançar os objetivos da iniciativa, e será importante que os arranjos e a tecnologia open source desenvolvidos no âmbito desta iniciativa estejam em condições de serem (re)utilizados por outras instituições ou projetos públicos.

    Post do serviço “Cadastro de Museus” sobre o “Museu Rebobina” no website MuseusBR

    O que visualizamos como produto final da parceria entre os consultores, é um arranjo que integre a difusão de conteúdos relacionados aos serviços digitais do Ibram, com disparos e reverberação automatizados através de contas institucionais da instância “social.museus.gov.br”. Estamos falando da circulação de informações sobre eventos e visitação em museus (Visite.Museus), sobre itens dos acervos digitalizados dos museus brasileiros (Brasiliana.Museus + acervos digitais publicados com Tainacan), sobre debates e oficinas online do campo museal (Forum.Museus), sobre bens museais desaparecidos (BensDesaparecidos.Museus), e sobre todos os dados e informações do campo museal (MuseusBR), que passa a acontecer de maneira ativa no âmbito das redes sociais descentralizadas, e não somente através da publicação passiva em websites institucionais. Vale destacar que este arranjo está entre as primeiras estratégias no âmbito da política pública, no Brasil, de enfrentamento ao problema crítico do monopólio das grandes empresas de tecnologia (BigTech) sobre as redes sociais comerciais.

    Queremos declarar, com esta chamada pública, que é chegado o tempo de reinstituir o espaço público na internet. Por tratar-se essencialmente de um meio de organização de coletivos, a Internet precisa ser reconhecida como um espaço de existência social, de articulação de movimentos, formação de grupos, produção de subjetividades, de sentidos sociais compartilhados e, sobretudo, espaço de produção e manifestação cultural da sociedade. A tecnologia em rede que media grande parte de nossas vidas é uma engenharia social — o que significa que decidir como ela funciona é (ou deveria ser) uma questão política. Se quisermos ter alguma esperança de que espaços coletivos digitais vão resultar em um mundo que vale à pena, precisamos construir nossas políticas para Internet de acordo com princípios institucionais sólidos. O Ibram entende que os museus brasileiros tem uma contribuição a dar na reflexão sobre o futuro do ambiente digital, e esta iniciativa com redes sociais descentralizadas sinaliza o caminho que propomos seguir.

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/construindo-pontes-dos-museus-para-o-fediverso/

  • Museus do Rio Grande do Sul se integram à Brasiliana

    Museus do Rio Grande do Sul se integram à Brasiliana
    Com foco nos temas Comunicação e História, inclusões significam avanços no desafio técnico que é a integração de acervos que contemplam a diversidade da cultura brasileira
    https://brasiliana.museus.gov.br/museus-do-rio-grande-do-sul-se-integram-a-brasiliana/
    #museus

    Vida Feliz: Rancho com paredes de leivas e quinchado de santa-fé (coberto de palha). Na frente do rancho, um gaúcho sentado num banquinho toca acordeão, uma mulher varre o terreiro. Um leitão no chão. Junto à parede, uma lata e um vaso com terra e plantas. Uma chaleira sobre um fogareiro de lata. Ao fundo, um cocho junto a uma cerquinha de sarrafos. (Acervo MHJC)

    As últimas semanas de 2024 saudaram a chegada de dois novos museus à coleção de acervos da Brasiliana. Tratam-se de duas instituições ligadas à Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac), o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa (MuseCom) e o Museu de História Julio de Castilhos (MHJC). A oportunidade de prover maior visibilidade aos bens culturais e aos documentos preservados pelas instituições vinculadas à SEDAC-RS na Brasiliana Museus, entrou em sintonia com as ações da iniciativa “Programa Acervos da Cultura”, que promove no âmbito local a disponibilização, em larga escala, de documentos históricos digitalizados para acesso on-line.

    No caso do MuseCom — Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa — os acervos disponibilizados para pesquisa na Brasiliana abrangem diferentes áreas da Comunicação, como imprensa escrita, televisão, rádio e fonografia, publicidade e propaganda, fotografia e cinema. Em sua peculiaridade o MuseCom se apresenta como “um equipamento que atua sob a missão de preservar e difundir os suportes e a memória das distintas formas de comunicação presentes na sociedade gaúcha.” Neste momento, a Brasiliana publica digitalmente 537 itens de seu acervo.

    Cervejaria Continental: O cartaz em bordas brancas sob o fundo preto contém, na parte superior, a inscrição em vermelho da palavra “Oriente”. A palavra está cortada por causa de um rasgo no papel. Em destaque, no centro do cartaz, há ilustrações de um prato de petiscos, um copo de cerveja e uma garrafa. Próximo à base do cartaz consta redigido “Cervejaria Continental” em azul. A Cervejaria Continental, fundada em 1924, teve sua sede em Porto Alegre e lançava anúncios em litografias na Revista do Globo. Em 1946, a Continental foi vendida para a Cervejaria Brahma. (Acervo Musecom)

    Já o Museu de História Julio de Castilhos (MHJC) foi o primeiro museu do Rio Grande do Sul, criado em 30 de janeiro de 1903 e denominado “Museu do Estado”. O nome atual rende homenagem àquele que foi presidente do Rio Grande do Sul por duas vezes, e o principal autor da Constituição Estadual de 1891, vindo a falecer em 1903. O acervo do museu contém mais de 10 mil objetos distribuídos em 31 coleções, e temos disponibilizados na Brasiliana 1932 itens, entre armaria, arquitetura, arte náutica, bandeiras, brinquedos, condecorações, etnologia, filatelia, heráldica, iconografia, indumentária, instrumentos de trabalho, instrumentos musicais, medalhas, missões, mobiliário, numismática, objetos de uso pessoal, objetos decorativos, regionalismo, sigilografia, utensílios domésticos vários, dentre outras tipologias.

    Churrasco: Três gaúchos, o da esquerda e o do centro calçam alpargatas, o da direita calça botas e veste paletó, os três usam chapéu. Espeto com carne no fogo de chão, o do centro segura uma chaleira e o da esquerda segura a cuia do chimarrão. O churrasco de fogo de chão é feito com com um espeto enfiado no chão, assado pelo calor da brasa e não pelo fogo direto, para que a carne mantenha a suculência e não fique seca. (Acervo MHJC)

    Para nós aqui na Brasiliana Museus, 2024 foi um ano em que enfrentamos desafios técnicos para o aperfeiçoamento da agregação de diferentes tipos de acervos. Em julho, o lançamento da Chamada Pública MCTI/FINEP/FNDCT/Identidade Brasil – Recuperação e Preservação de Acervos 2024, que indicou como obrigatória “a disponibilização, após concluído o projeto, dos dados dos acervos museológicos na plataforma Brasiliana Museus do Instituto Brasileiro de Museus, seguindo seus padrões e normativos técnicos de catalogação e documentação” (4.6, iv), elevou a importância e a urgência de evolução para uma solução mais flexível e eficiente na agregação dos diversos acervos aderentes à Brasiliana.

    O desafio foi a criação de um modelo de agregação mais genérico, capaz de atuar não somente em acervos museológicos, mas em condições de promover o diálogo entre coleções especiais de bibliotecas, arquivos, e contemplar de maneira adequada a diversidade dos museus brasileiros. Neste processo, seguimos utilizando o modelo de dados do INBCM (Inventário Nacional de Bens Culturais Musealizados), mas avançamos na definição de um conjunto mínimo de campos comuns capazes de arquitetar a relação entre os acervos diversos. A reflexão da equipe levantou outro aspecto importante a evoluir no âmbito do desafio de qualificação da agregação, que é a importância do uso de Tesauros e de vocabulários controlados específicos no trabalho de documentação realizado pelos museus aderentes.

    Em termos técnicos, houve uma migração de tecnologia: no desenvolvimento inicial utilizamos Elastic Search e Kibana juntamente com o Tainacan, e nesta nova perspetiva exploramos o Apache Airflow — especializado na orquestração de dados complexos, permitindo definir claramente as dependências entre as tarefas e controlar o fluxo de execução — em conjunto com MongoDB para a consolidação das agregações, com saída para o Tainacan. Neste novo arranjo técnico temos uma evolução importante na segurança processo de submissão dos itens, que passa a ser realizado em sua totalidade via API.

    Com estes novos arranjos e desenvolvimentos técnicos, que facilitam e tornam mais flexíveis os processos de agregação, esperamos iniciar 2025 acelerando a entrada de novos museus e instituições dedicadas à preservação da memória do patrimônio cultural na Brasiliana.

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/museus-do-rio-grande-do-sul-se-integram-a-brasiliana/

  • O Manto Tupinambá no Brasil

    O Manto Tupinambá no Brasil
    A complexidade técnica e a estética vibrante dos mantos tupinambás revelam não apenas a destreza manual, mas também a notável sofisticação artística dos povos orginários brasileiros.
    https://brasiliana.museus.gov.br/o-manto-tupinamba/
    #museus

    O manto tupinambá que a Dinamarca devolve ao Brasil – Foto: Roberto Fortuna, Museu Nacional da Dinamarca

    O retorno de um exemplar do Manto Tupinambá ao Brasil foi tema de destaque nos últimos meses no circuito dos museus brasileiros. O manto confeccionado com penas vermelhas do século XVI era parte da coleção etnográfica do Nationalmuseet, o Museu Nacional da Dinamarca, e foi doado para o Museu Nacional do Rio de Janeiro no âmbito de um esforço de recomposição do acervo vitimado pelo incêndio de 02 de setembro de 2018, no Paço de São Cristóvão. A mobilização do embaixador do Brasil na Dinamarca, Rodrigo de Azeredo Santos, foi instrumental para o sucesso do processo de repatriação.

    “Nosso objetivo era que a sociedade dinamarquesa encarasse a devolução como uma cooperação cultural dos dois países para ajudar a reconstruir a instituição brasileira. Queríamos evitar debates sensíveis na Europa sobre a repatriação de artigos que pertencem aos povos originários de outros continentes. Por isso, todo o processo transcorreu em sigilo”, conta Santos.

    A volta do Manto Tupinambá – https://piaui.folha.uol.com.br/volta-do-manto-tupinamba/

    O antropólogo Rane Willerslev, diretor do Nationalmuseet, em nota oficial sobre a doação observou que

    “as heranças culturais têm um papel decisivo nas narrativas das nações sobre si mesmas. É assim no mundo inteiro. Por isso, é importante para nós ajudar a reconstruir o Museu Nacional do Brasil depois do incêndio devastador de alguns anos atrás”.

    A volta do Manto Tupinambá – https://piaui.folha.uol.com.br/volta-do-manto-tupinamba/

    A cacica Maria Valdelice Amaral de Jesus em correspondência endereçada à direção do Nationalmuseet, no dia 29 de julho de 2022, escrevia:

    “Os sonhos dos nossos ancestrais, que são também os nossos, seguem vivos. Amotara preservou em sua memória a lembrança da existência de um Manto Sagrado para o nosso povo. Nossos Mantos são ícones da nossa espiritualidade e, por isso, acreditamos que devem estar de pé e vivos, próximos ao seu povo de origem”.

    A volta do Manto Tupinambá – https://piaui.folha.uol.com.br/volta-do-manto-tupinamba/

    A Amotara mencionada acima é Nivalda Amaral de Jesus, mãe da cacica, quem travou o primeiro contato com o Manto quando esteve no Brasil por empréstimo em maio de 2000 para a Mostra do Redescobrimento Brasil +500, em São Paulo. Após o encontro com a relíquia de seu povo, Amotara declarou ao repórter da Folha que acompanhou sua visita à exposição:

    “Somos tupinambás. Queremos o manto de volta.”

    A volta do Manto Tupinambá – https://piaui.folha.uol.com.br/volta-do-manto-tupinamba/

    Além da cacica Maria Valdelice, enviaram cartas para a direção do Nationalmuseet o cacique Rosivaldo Ferreira da Silva, o Babau, outro líder dos tupinambás de Olivença, e a direção do Museu Nacional do Rio. Esses três documentos foram entregues pelo embaixador a Rene Willerslev. Sensibilizado pelas correspondências, o diretor do Nationalmuseet elaborou um parecer favorável à devolução da peça e apresentou a reivindicação dos brasileiros aos seis membros do conselho do museu dinamarquês. Os conselheiros recomendaram que a relíquia fosse doada ao Ministério da Cultura da Dinamarca. Finalmente, em 31 de maio de 2023, o ministro Jakob Engel-Schmidt autorizou a volta definitiva do manto ao Brasil.

    A importância cultural e artística do Manto Tupinambá

    Como primeiro povo a fazer contato com os portugueses quando desembarcaram no Brasil em 1500, os Tupinambás impressionaram os europeus com sua cultura e sua arte. A documentação desse encontro original é significativa, e reverbera de maneira

    O manto em cerimônia religiosa de indígenas tupinambás em gravura de Theodor de Bry, de 1592

    Os relatos sobre as práticas ritualísticas antropofágicas atribuídas aos Tupinambás por Hans Staden e Jean de Léry, difundidas nas xilogravuras de Théodore de Bry, alimentaram a curiosidade sobre o “Novo Mundo” e moldaram a visão do “homem selvagem” no imaginário europeu.

    O Manto Tupinambá – Pensar a História (Thread Reader) – https://threadreaderapp.com/thread/1669459644836708352

    A originalidade e exuberância da arte plumária dos povos Tupinambás impressionou os portugueses de maneira especial, e o manto com as penas vermelhas da ave Guará ganhou status de patrimônio artístico do novo mundo. Torna-se item de destaque no comércio atlântico, e pode ter chegado ao continente europeu por meio de saques e relações diplomáticas, ou mesmo através de intercâmbio direto com os Tupinambás.

    Um exemplo de troca de presentes que ocorreram entre os indígenas e os conquistadores durante o século XVI foi documentada pelo capelão franciscano André Thevet, que acompanhou o explorador francês Nicolas Villegagnon na expedição para o estabelecimento da França Antártica* (1555-1570). Em suas crônicas, André Thevet relata como as trocas entre os franceses selavam a aliança que viabilizou o estabelecimento de uma colônia francesa na região da Baía do Rio de Janeiro, no Estado do Rio de Janeiro, no Brasil, no século XVI.

    Um exemplar do manto foi levado para a Europa pelo próprio André Thevet que, em seus escritos, declarou estar impressionado com a criatividade dos nativos. Ele registra que recebeu o artefato diretamente de Cunhambebe, principal liderança Tupinambá na época, juntamente com outros objetos pessoais.

    Manto tupinambá na procissão “Rainha da América”, ocorrida no ducado de Wurttemberg, na celebração de carnaval de 1599.

    A relevância cultural do Manto Tupinambá se manifestou em obras de arte que expressam o fascínio que as peças exercem nas cortes europeias. Uma aquarela alemã datada de 1599 (acima) retrata uma espécie de desfile de membros da corte durante uma cerimônia festiva em Stuttgart, onde é exibido um exemplar do manto emplumado.

    A trajetória transcorrida pelos mantos da cultura Tupinambá até os museus da Europa envolveu, em alguns casos, personagens históricos identificáveis. O conde Johann Moritz von Nassau-Siegen, que foi o governador holandês do Brasil e ficou conhecido como Mauri­cio de Nassau, foi também um colecionista e atuou no tráfico dos mantos. O óleo na imagem abaixo representa sua sobrinha Sofia de Hanover, adornada com vestimentas que fazem alusão ao manto — pintura realizada no ano de 1652 por sua irmã, Luísa Holandina do Palatinado.

    Sofia de Hanôver , sobrinha de Mauricio de Nassau, representada como índia sul-americana

    Em todos os registros do Manto Tupinambá através da história, a relíquia se apresenta como exemplo notável da habilidade e da sofisticação artística dos povos orginários brasileiros. A complexidade técnica e a estética vibrante dos mantos tupinambás refletem não apenas a destreza manual, mas também a profunda conexão cultural e espiritual dos indígenas com a natureza. Neste momento de retorno ao Brasil, emerge como testemunho da rica tradição artesanal e da identidade cultural dos povos originários brasileiros, destacando-se como símbolo de resistência e valorização das culturas indígenas frente aos desafios históricos e contemporâneos.

    Metadados

    Manto Tupinambá na Biblioteca do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
    • Descrição
      • Possui um gorro e uma capa, que constituem um único traje. As penas de guará se encaixam sobre uma base de fibra natural, parecida com uma rede de pesca.
    • Material e Técnica
      • O manto é feito de penas de aves nativas, como o guará, e fibra vegetal.
      • Confeccionado com plumagem de Guará fixada em uma trama de fibras naturais utilizando uma técnica de costura ancestral dos povos originários do Brasil, o manto tupinambá pode ser visto objetivamente, por quem não faz parte da comunidade indígena, como uma obra de arte, uma forma de expressão artística.
    • Tamanho
      • mede 1,2 metro de altura por 60 cm de largura.
    • Origem
      • O manto tupinambá é uma vestimenta sagrada para alguns povos indígenas brasileiros.
    • Uso
      • Os tupinambás usavam vestimentas do gênero em ocasiões formais, como as assembleias, os enterros de pessoas queridas e os rituais antropofágicos, a celebração mais imponente promovida por eles no período colonial. É um símbolo de poder e liderança entre os Tupinambás.
    • Estado de Preservação
      • Adequado
    • Localização
      • Em 2024, o item aqui descrito foi devolvido pelo Nationalmuseet, e encontra-se na Biblioteca do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
      • Outros dez mantos semelhantes, também confeccionados com penas de guará, continuam expatriados em museus europeus, segundo levantamento feito pela pesquisadora norte-americana Amy Buono, da Universidade de Chapman. Apenas no Museu Nacional da Dinamarca, existem outros quatro além do que foi devolvido ao Brasil.
      • No Museu de História Natural da Universidade de Florença (na Itália), existem outros dois. Há também mantos tupinambás guardados no Museu das Culturas, em Basileia (na Suíça); no Museu Real de Arte e História, em Bruxelas (na Bélgica); Museu du Quai Branly, em Paris (na França); e na Biblioteca Ambrosiana de Milão (na Itália).
    • Doação
      • Em julho de 2024, um dos mantos tupinambás que estava na Dinamarca foi devolvido ao Brasil. A doação foi feita pelo governo da Dinamarca e o manto ficará no Museu Nacional do Rio de Janeiro.
    • História
      • O manto que foi devolvido pelo Nationalmuseet possui mais de 300 anos.
      • O museu de Copenhague não sabe informar quem trouxe a peça sagrada para a Dinamarca nem por quê.
      • O manto tupinambá é um símbolo da memória, da arte, e da resistência do povo indígena Tupinambá.

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/o-manto-tupinamba/

  • Aruba Declares 4 (Four) Digital Rights For Protecting Memory Institutions Online.

    Aruba Declares 4 (Four) Digital Rights For Protecting Memory Institutions Online.
    Cultural memory: “when information and entertainment lose their perceived monetary value, commercial players have no incentive to keep them accessible, resulting in large gaps in our collective cultural record.”
    https://brasiliana.museus.gov.br/aruba-declares-4-four-digital-rights-for-protecting-memory-institutions-online/
    #museus

    On a recent post about the importance of a national policy for digital memory in Brazil, we were commenting that…

    …the rise of digital media drastically alters some established definitions of “cultural memory” based on the logic of “printed archives”, which came to shape the functioning model of archives, libraries, and museums in the 20th century. In her book “Rogue Archives,” Abigail De Kosnik reminds us that “since the late 19th century, memory – not individual private memory, but public, collective memory – has been the domain of the state.” In the 21st century, however, digital culture practices drive dynamic and unpredictable flows that have been constantly redefining and expanding the concept of “cultural memory” in recent years.

    On the importance of a national policy for digital memory — Blog – Brasiliana Museus (30/11/2023)

    As we have been considering the importance of a policy for digital memory, we advanced discussions with the Brazilian Internet Steering Committee – CGI.br – about the possibility of Ibram becoming a certifying institution for Brazilian museums interested in using the Top Level Domain (TLD) “museu.br”. The goal is to develop the domain as a space for implementing models of interoperability (accessibility) and preservation for Brazilian digital cultural heritage, as we understand that ensuring access to these resources cannot depend on proprietary infrastructures controlled by foreign technology companies.

    According to the “Declaration of the 4 Digital Rights for the Protection of Memory Institutions” launched by Aruba, to maintain their traditional functions in the digital world, memory institutions must possess the affirmative rights to:

    • COLLECT materials in digital form, whether through digitization of physical collections, or through purchase on the open market or by other legal means;
    • PRESERVE digital materials, and where necessary repair, back up, or reformat them, to ensure their long-term existence and availability;
    • PROVIDE controlled ACCESS to digital materials for advanced research techniques and to patrons where they are—online;
    • COOPERATE with other memory institutions, by sharing or transferring digital collections, so as to aid preservation and access.

    As we identify with the idea of digital rights for memory institutions and with the terms of the Declaration—an initiative absolutely relevant to the field of public digital memory—we seek to understand the origin and meaning of the initiative. It all begins when Peter Scholing, an information scientist and researcher at the National Library of Aruba (BNA), becomes aware of the “Internet Archive’s” struggle with the publishing field to protect library users’ access to e-books. This legal dispute sparked a debate that generated pertinent reflections and arguments about the role of memory institutions in the digital age, and resulted in a Report: “Securing Digital Rights for Libraries: Towards an Affirmative Policy Agenda for a Better Internet (2022)

    The librarian from Aruba considered the arguments raised in the Report to be very good but understood that it would be necessary to broaden the scope of reflection to protect not only libraries but all memory institutions, or rather, the entire GLAM** universe. Thus, the idea of the “Declaration of the 4 Digital Rights for the Protection of Online Memory Institutions” was born, which virtually becomes a universal declaration in favor of open access to information in digital media, aligned with the UN Sustainable Development Goals (UN 2030 Agenda/ Sustainable Development Goals, .10 – ensure public access to information and protect fundamental freedoms, in accordance with national legislation and international agreements).

    It is worth noting that the relationship between Peter Scholing and the “Internet Archive” began in 2018 with the launch of the “Aruba Collection” project—an initiative to digitally preserve the history of the Caribbean island on the servers of the American digital library. Aruba’s turbulent past, which saw its indigenous population initially colonized by the Spanish and later by the Dutch, holds important records of the slave trade and Venezuela’s oil routes. Due to its geographical location, the island is subject to catastrophic weather events, and it seemed pertinent for the American non-profit digital library to offer to digitize and preserve all the content of the local cultural heritage.

    The “Aruba Collection” and the “Internet Archive”

    A map of Aruba, dated 1794. Image: Archivo Museo Naval de Madrid

    According to the “Internet Archive,” the “Aruba Collection” “includes about 40,000 documents, 60,000 images, 900 videos, 45 audio files, and seven 3D objects, totaling 67 thematic and/or institutional (sub)collections.” In addition to adding everything to its own servers, the “Archive” claims it is also backing up everything using the decentralized Filecoin network. It does not seem ideal to us that the process of digitizing a country’s cultural heritage is outsourced to a foreign non-profit organization, and it would be desirable for memory institutions around the world to have direct access to these resources for digitizing their collections. The “Internet Archive,” for its part, had not yet acted in this manner before, digitizing all the content of a country, but it has already partnered with projects and institutions around the world, such as “backing up 90% of the Indonesian island province of Bali’s literature“, and is open to working with other countries in this regard.

    When we think about a digital preservation policy for Brazil, it is important to understand the role played by the “Internet Archive” in the digital preservation of the planet. The non-profit organization was founded in 1996 by Brewster Kahle and, to date, hosts 99 petabytes of unique data, or 99,000 terabytes. More than half of this total comes from the “Wayback Machine,” its collection of archived websites, which constitutes the only serial archiving reference, since 1996, on the scale of the web. The quote below illustrates the scope of the “Archive’s” endeavor in terms of volume and diversity, highlights the enormous (material and immaterial) value of the generated collections, and in a way explains the reasons for the legal attacks that are beginning to threaten the permanence of such an important collection for the entire world. How can we protect it?!

    The Archive also hosts assortments of VHS tapes, ancient computer games, Lego set instructions, emulated calculators, sponsored films, and Google Plus posts. I’ve easily lost altogether days or more to poring through its vast stores. The site is threatened today by legal battles over its preservation efforts, such as last year’s ruling that it can’t serve as a library for ebooks and a music industry lawsuit pointed at the site’s Great 78 Project to archive old records.

    The Internet Archive is now hosting Aruba’s history, by Wes Davies – The Verge – 10/04/2024

    In the excellent report that originated the Declaration for the Protection of Memory Institutions, evidence is presented about the risks of the current scenario for the preservation of cultural memory, as “when information and entertainment lose their perceived monetary value, commercial players have no incentive to keep them accessible, resulting in large gaps in our collective cultural record.”

    For example, Myspace deleted an estimate of 53 million music files from its servers, erasing what remained of a once-lively hub for up-and-coming musicians in the early aughts.? More recently, HBO took down 200 episodes of the classic children’s program, Sesame Street, in addition to 36 other titles on its HBO Max platform.’® What happened to the digital age’s promise of allowing smaller actors to increase access for everyone? In this world of licensing over ownership, the rightsholder has almost complete control over what’s available at any given moment—and, worse, forever thereafter—no matter what their customers thought when they clicked the ‘buy’ button.

    “Statement Protecting Digital Rights of Memory Institutions” (Report — “Securing Digital Rights for Libraries: Towards an Affirmative Policy Agenda for a Better Internet”)

    A recent and careful study by Pew Research on “link rot” on the Internet — “When Online Content Disappears” — demonstrates the magnitude of the problem we have in the realm of digital memory. The main announcement of the research is alarming: more than 1/3 (38%) of web content from 2013 has already disappeared. The phenomenon directly impacts Wikipedia references, which has 23% of news links broken, and records the disappearance of 21% of .gov sites (!!).

    When Online Content Disappears: 38% of webpages that existed in 2013 are no longer accessible a decade later

    It is worth highlighting how this aspect of the disappearance of digital memory is directly related to the 1st right, which, according to the Declaration of Aruba, must be guaranteed to all memory institutions:

    • COLLECT materials in digital form, whether through digitization of physical collections, or through purchase on the open market or by other legal means.

    The right to collect and preserve openly accessible content on the Internet is crucial to ensure that museums, archives, and libraries continue to fulfill their public interest functions concerning digital memory. If companies involved in creating “artificial intelligence” applications, which are now flooding the software market, can invoke “fair use” to “scrape” Internet content and thus train their Large Language Models (LLMs) to perform services like ChatGPT, certainly memory institutions can do the same to serve the public interest.

    On Aruba’s path

    It’s crucial to recognize that when profit-driven interests overshadow public considerations for access to information, knowledge, and culture, both democracy and humanity suffer. Imagine a world without the “Internet Archive” — currently sob ataque da indústria de conteúdos digitais — and without adequately supported memory institutions. In such a scenario, information would surface and vanish based solely on corporate interests, rather than its importance to the public. This would lead to a significant loss in our collective cultural and informational heritage.

    These are the reasons that lead us to agree with the “Declaration of the 4 Digital Rights for Memory Institutions” — we need to provide space (infrastructure) and power to memory institutions so they can continue preserving cultural heritage assets in digital format as well, and this task is not trivial. Initiatives that involve establishing public infrastructure for the organized and enduring storage of digital collections are fundamental at this moment to ensure the preservation of digital memory and democracy.

    Next, in this blog, we will provide more information about the implementation of the ‘museu.br’ domain by the Brazilian Institute of Museums, and how the work of the “Internet Archive” serves as an inspiration for this initiative.

    Related links:

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/aruba-declares-4-four-digital-rights-for-protecting-memory-institutions-online/

  • Declaração de Aruba quer Proteção aos Direitos Digitais de Instituições de Memória

    Declaração de Aruba quer Proteção aos Direitos Digitais de Instituições de Memória
    O direito de coletar e preservar conteúdos de acesso aberto na Internet é crucial para garantir que instituições de memória sigam cumprindo suas funções de interesse público em relação à cultura digital.
    https://brasiliana.museus.gov.br/declaracao-de-aruba-quer-protecao-aos-direitos-digitais-de-instituicoes-de-memoria/
    #museus

    Imagem da página inicial do repositório digital para a construção do Museu da Democracia,
    lançado em 08/01/2024 pelo Instituto Brasileiro de Museus

    Conceber um projeto para o “Museu da Democracia”, foi demanda que surgiu para o Ibram a partir do impacto causado pelos ataques de 01/08/2023 aos palácios na Praça dos Três Poderes em Brasília. Esta solicitação reverberou na Coordenação-Geral de Sistemas de Informação Museal – CGSIM/Ibram, e impulsionou reflexões sobre respostas que o campo da cultura digital poderia apresentar ao projeto. Avaliamos que o ambiente digital teve papel determinante no contexto que levou a estes acontecimentos trágicos para a nossa democracia, e por isso entendemos que iniciativas que envolvam o estabelecimento de infraestrutura pública para armazenamento organizado e perene de acervos digitais podem contribuir para a atualização e efetividade da proposta do Ibram para o “Museu da Democracia”.

    Como já vínhamos pensando sobre a importância de uma política para memória digital, avançamos em conversas junto ao Comitê Gestor da Internet sobre a possibilidade do Ibram tornar-se instituição certificadora para museus brasileiros interessados em fazer uso do Domínio de Nível Superior / Top Level Domain (TLD)* “museu.br“. O objetivo é desenvolver o domínio como espaço de implementação para modelos de interoperabilidade (acessibilidade) e preservação para o patrimônio cultural digital brasileiro, pois entendemos que a garantia de acesso a estes recursos não pode depender de infraestruturas proprietárias subordinadas a empresas de tecnologia estrangeiras.

    Em meio a estas reflexões e diálogos, tivemos notícia do lançamento agora em abril passado da “Declaração de Proteção aos Direitos Digitais de Instituições de Memória”. O fato é que Aruba, a pequena nação insular do sul do Caribe, tornou-se o primeiro país a assinar a Declaração, que articula um conjunto básico de direitos digitais de instituições de memória considerado como necessário para que estas possam desempenhar sua função essencial no mundo digital e cada vez mais interconectado de hoje. As instituições de memória — bibliotecas, arquivos, museus, centros de documentação, cinematecas, etc. — foram até hoje capazes de preservar e garantir acesso público a recursos informacionais em mídia impressa porque puderam contar com direitos e privilégios decorrentes da propriedade dos meios físicos em suas coleções.

    Segundo a Declaração dos 4 Direitos Digitais para Instituições de Memória lançada por Aruba, para manter suas funções tradicionais no mundo digital, instituições de memória devem possuir os direitos afirmativos de:

    • COLETAR bens em formato digital, seja através da digitalização de coleções físicas, seja através da compra no mercado ou por outros meios legais;
    • PRESERVAR bens digitais e, quando necessário, reparar, fazer backup ou reformatá-los, para garantir sua existência e disponibilidade a longo prazo;
    • PROVER ACESSO a bens digitais, ao menos em modo controlado, para técnicas avançadas de pesquisa e para usuários onde quer que estejam—online;
    • COOPERAR com outras instituições de memória, compartilhando ou transferindo coleções de bens digitais, para promover a preservação e o acesso.

    Na medida em que nos identificamos com a ideia dos direitos digitais para instituições de memória, e com os termos da Declaração — iniciativa absolutamente pertinente para o campo da memória digital pública — buscamos entender a origem e o sentido da iniciativa. Tudo começa quando Peter Scholing, cientista da informação e pesquisador na Biblioteca Nacional de Aruba (BNA), toma conhecimento da luta do ‘Internet Archive‘** com o campo editorial para proteger o acesso dos usuários de bibliotecas a e-books. Tal disputa jurídica promoveu debate que gerou reflexões e argumentos pertinentes sobre o papel de instituições de memória na era digital, e resultou em um Relatório: “Securing Digital Rights for Libraries: Towards an Affirmative Policy Agenda for a Better Internet (2022)“.

    O bibliotecário de Aruba considerou que os argumentos levantados no Relatório eram muito bons, mas entendeu que seria necessário ampliar o escopo da reflexão para proteger não somente bibliotecas, e sim todas as instituições de memória, ou melhor, todo o universo GLAM***. E com isso nasceu a ideia da “Declaração dos 4 Direitos Digitais para Instituições de Memória”, que se torna virtualmente uma declaração universal em favor do acesso aberto à informação em meio digital, alinhada com as Metas de Desenvolvimento Sustentável da ONU (UN 2030 Agenda/ Sustainable Development Goals, .10 –assegurar o acesso público à informação e proteger as liberdades fundamentais, de acordo com a legislação nacional e os acordos internacionais“.)

    Vale dizer que a relação entre Peter Scholing e o “Internet Archive” começa em 2018, com o lançamento do projeto “Coleção Aruba” — iniciativa para preservar digitalmente a história da ilha caribenha nos servidores da biblioteca digital norte-americana. O passado turbulento de Aruba, que teve sua população indígena colonizada inicialmente pelos espanhóis, e posteriormente pelos holandeses, guarda registros importantes do comércio de escravizados e das rotas petroleiras da Venezuela. Por sua localização geográfica, a ilha está sujeita à eventos climáticos catastróficos, e pareceu pertinente para a biblioteca digital sem fins lucrativos norte-americana se oferecer para realizar a digitalização e preservação de todo o conteúdo do patrimônio cultural local.

    O ‘problema’ de Aruba, e a ‘solução’ Internet Archive

    Um mapa da ilha de Aruba, com data de 1794. Imagem: Archivo Museo Naval de Madrid

    De acordo com o “Internet Archive”, a “Coleção Aruba” “inclui cerca de 40.000 documentos, 60.000 imagens, 900 vídeos, 45 arquivos de áudio e sete objetos 3D, totalizando 67 (sub)coleções temáticas e/ou institucionais”. Além de adicionar tudo aos seus próprios servidores, o “Archive” afirma que também está fazendo backup de tudo usando a rede descentralizada Filecoin. Não nos parece ideal que o processo de digitalização do patrimônio cultural de um país seja terceirizado para uma empresa sem fins lucrativos estrangeira, e seria desejável que instituições de memória ao redor do mundo tivessem acesso direto a estes recursos para digitalização de seus acervos. O “Internet Archive”, por seu lado, não havia ainda atuado dessa maneira antes, digitalizando todo o conteúdo de um país, mas já realizou parcerias com projetos e instituições ao redor do mundo, como por exemplo o projeto de preservação da literatura de Bali, província da Indonésia, e está aberto para trabalhar com outros países neste sentido.

    Quando pensamos em uma política de preservação digital para o Brasil, é importante compreender o papel desempenhado pelo “Internet Archive” para a preservação digital do planeta. A organização sem fins lucrativos foi fundada em 1996 por Brewster Kahle e, até o momento, hospeda 99 petabytes de dados únicos, ou 99.000 terabytes. Mais da metade desse total é do serviço “Wayback Machine“, sua coleção de sites arquivados, que constitui a única referência de arquivamento seriado, desde 1996, na escala da web. A citação abaixo ilustra o escopo da empreitada do “Archive” em termos de volume e diversidade, evidencia o enorme valor (material e imaterial) das coleções geradas, e de certa forma explica os motivos para os ataques jurídicos que começam a ameaçar a perenidade de acervo tão importante para o mundo inteiro. Como protegê-lo?!

    O Archive também hospeda coleções de fitas VHS, jogos de computador antigos, instruções para conjuntos de Lego, calculadoras emuladas, filmes patrocinados e, também, postagens do Google Plus. Apesar de seu óbvio valor para a cultura digital, o serviço do Internet Archive está ameaçado hoje por um conjunto de batalhas judiciais relacionadas aos seus esforços de preservação, como a decisão do ano passado de vedar ao Archive o serviço de empréstimo de ebooks, e também um processo da indústria da música direcionado ao projeto Great 78, que visa arquivar discos antigos.

    The Internet Archive is now hosting Aruba’s history, by Wes Davies – The Verge – 10/04/2024

    No ótimo relatório que originou a Declaração para Proteção de Instituições de Memória são apresentadas evidências sobre os riscos do atual cenário para a preservação da memória cultural, pois “quando a informação e o entretenimento perdem seu valor monetário percebido, os players comerciais não têm incentivo para mantê-los acessíveis, resultando em grandes lacunas em nosso registro cultural coletivo”.

    “Por exemplo, o Myspace deletou uma estimativa de 53 milhões de arquivos de música de seus servidores, apagando o que restava de um centro outrora animado para músicos em ascensão no início dos anos 2000. Mais recentemente, a HBO removeu 200 episódios do clássico programa infantil Vila Sésamo, além de outros 36 títulos de sua plataforma HBO Max. O que aconteceu com a promessa da era digital de permitir que atores menores aumentassem o acesso para todos? Neste mundo de licenciamento em vez de propriedade, o detentor dos direitos tem quase controle completo sobre o que está disponível em qualquer momento—e, pior ainda, para sempre após—não importa o que seus clientes pensaram quando clicaram no botão ‘comprar’.”

    “Statement Protecting Digital Rights of Memory Institutions” (Report — “Securing Digital Rights for Libraries: Towards an Affirmative Policy Agenda for a Better Internet”)

    Um recente e cuidadoso estudo do Pew Research sobre “links podres” (linkrot) na Internet — When Online Content Disappears — ilustra o tamanho do problema que temos no âmbito da memória digital. O principal anúncio da pesquisa assusta: mais de 1/3 (38%) do conteúdo da web de 2013 já desapareceu. O fenômeno impacta diretamente as referências da Wikipedia, que tem 23% de links para notícias quebrados, e registra o desaparecimento de 21% dos sites .gov(!!).

    When Online Content Disappears” (Pew Research, 2024): 38% das páginas web que existiam em 2013 já não são mais acessíveis no espaço de uma década.

    Vale destacar como este aspecto de desaparecimento da memória digital está relacionado diretamente com o 1º direito que, segundo a Declaração de Aruba, deve ser garantido à todas as instituições de memória:

    • COLETAR bens em formato digital, seja através da digitalização de coleções físicas, seja através da compra no mercado ou por outros meios legais.

    O direito de coletar e preservar conteúdos acessíveis de maneira aberta na Internet é crucial para garantir que museus, arquivos e bibliotecas sigam cumprindo suas funções de interesse público em relação à memória digital. Se as empresas envolvidas na criação das aplicações de “inteligência artificial”, que hoje invadem o mercado de software, podem invocar o “uso justo” (fair use) para “raspar” o conteúdo da Internet e assim treinar seus Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) para implementar serviços comerciais como o ChatGPT, certamente instituições de memória podem fazer o mesmo para garantir a preservação do patrimônio cultural digital e assim cumprir sua missão de atender ao interesse público.

    No caminho de Aruba

    Neste post, que começa com a reflexão sobre o que poderia constituir um “Museu da Democracia” a ser lançado em 2024 no Brasil, nos parece pertinente afirmar que a democracia, e toda a humanidade, perdem quando interesses movidos exclusivamente pelo lucro superam as considerações de interesse público sobre o acesso à informação, conhecimento e cultura. Em um mundo sem os serviços do “Internet Archive” — que está agora sob ataque da indústria de conteúdos digitais — e sem instituições de memória com reais condições para cumprir a sua função no ambiente digital, a informação irá aparecer (e desaparecer) apenas de acordo com os interesses de empresas—e não por seu valor para o público.

    Na sequência, neste blog, informaremos mais sobre a implementação do domínio ‘museu.br’ pelo Instituto Brasileiro de Museus, e sobre como o trabalho do “Internet Archive” é inspiração para esta iniciativa.

    São estes os motivos que nos levam a concordar com a ”Declaração dos 4 Direitos Digitais para Instituições de Memória” — precisamos prover espaço (infraestrutura) e poder às instituições de memória para que continuem preservando bens do patrimônio cultural também em formato digital, e esta tarefa não é trivial. Iniciativas que envolvam o estabelecimento de infraestrutura pública para armazenamento organizado e perene de acervos digitais, neste momento, são fundamentais para garantir a preservação da memória digital, e da democracia.

    Referências:

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/declaracao-de-aruba-quer-protecao-aos-direitos-digitais-de-instituicoes-de-memoria/

  • Digital decolonization of collections: Innovation broadens the scope of museums

    Digital decolonization of collections: Innovation broadens the scope of museums
    The goal is to create a framework for digitally sharing museum cultural heritage collections with indigenous communities. The plan to provide aggregation partners with integrated tools to support metadata enrichment, and to use the ActivityPub protocol to document dialogue with specific audiences, is appealing.
    https://brasiliana.museus.gov.br/digital-decolonization-of-collections-innovation-broadens-the-scope-of-…

    The development of the Tainacan Project at the Brazilian Institute for Museums (IBRAM), along with its president Fernanda Castro’s focus on enhancing the Institute’s capacity to independently manage its digital strategy, opens up new possibilities for Brazilian museums. As they confront old challenges with updated tools, they’re adapting their approaches and broadening its channels to connect with both new and existing players in the memory and heritage sectors. This includes embracing new dynamics in social media and exploring methods for remote digital engagement.

    Earlier this month, Professor Dalton Martins, General Coordinator of Museal Systems at IBRAM, traveled to Gothenburg, Sweden, to continue his research collaboration with the Department of Historical Studies at the University of Gothenburg, in partnership with the Federal University of Western Pará (UFOPA) in Brazil and the “Museum of World Culture” in Gothenburg. This distinctive museum was established by the government as part of a dialogue on the self-identity of Swedish society, and has become a focal point for public discussions*.

    The present research collaboration focuses on “decolonizing ethnographic databases,” which emerged from discussions about “digital repatriation of collections” in Europe after the 2018 fire at the National Museum in Rio de Janeiro. It’s worth noting the longstanding relationship between the “Museum für Völkerkunde” in Berlin and the “Göteborgs Museum” in Gothenburg with the Museu Nacional and other Brazilian institutions since the 1880s. They actively exchanged objects for major exhibitions, contributing to the scientific exchange of knowledge through collection sharing**.

    In 2021, the Brazilian Institute for Museums joined the project, coinciding with the University of Gothenburg receiving funding from the “Europeana Research Grants Programme***.” This development prompted a report that identified the Tainacan digital repository—a free software (WordPress plugin) developed and maintained by Brazilian public universities with support from IBRAM—as an appropriate tool for offering technological assistance in the decolonization of ethnographic databases.

    In 2022, the project’s inaugural mission brought members of the Waiwai ethnic group from Brazil to visit the Museum of World Culture in Gothenburg, Sweden. The visit centered on items related to Brazilian indigenous peoples, specifically their own tribe****. These objects were collected in 1925, and there’s limited information about them. For the Waiwai people, identifying these objects and helping organize the collection is significant for various reasons. “Many of the items are still being made today,” explains João Kaiuri, a Waiwai spokesperson.

    During the mission in Sweden this month (Mar/2024), Palikur representatives conducted the identification of their objects, following a similar process to what the Waiwai did in 2022. Brazilian and European researchers discussed the operational design and technical features for structuring methods and practices of decolonizing collections, drawing from their experience with Brazilian groups. The goal is to create a framework for digitally sharing museum cultural heritage collections with indigenous communities, proposing methodologies and practices that can be applied to other collections and contexts as well.

    Professor Dalton Martins’s participation in the mission highlights the strong comimitment of IBRAM and Brazil in developing innovative solutions for the museum field and digital collections, particularly regarding decolonizing collections. This advancement explores new opportunities for museums and specialists in memory institutions to facilitate dialogues around collections, similar to curating networked conversations. The recent experimentation of the Brasiliana Museums project with the Fediverse, along with the opportunity to explore active remote participation in online museological processes, supports the proposed conceptual model that Ibram is currently presenting to its European partners, as illustrated in the diagram below.

    The design of the conceptual model illustrates the partnership plan, which involves creating pilot projects to train representatives of ethnic communities collaborating with the “Museum of World Culture” in Gothenburg—specifically, the Waiwai, Palikur, Munduruku, and Ticuna. The potential of AI and Machine Learning functionalities can easily be integrated into Tainacan because of its WordPress plugin architecture, allowing for the dynamic translation of textual items from collections into the proposed workflow. Additionally, the potential of the Fediverse can be used to connect curator teams and groups of interested researchers. Prof. Dalton Martins highlights the aspect that caught the researchers’ attention during the presentation of the conceptual model.

    “…the design illustrates the transition in the museum’s role, shifting from being the sole authority on collection truths. In its new role as a facilitator of dialogue on memory, heritage, and collections, the museum creates a conducive environment for open, transparent, and well-documented discussions.”

    Dalton Martins

    From our perspective at IBRAM in Brazil, we envision the ActivityPub protocol as a chance for memory institutions to utilize social network-like infrastructures for projects involving digital cultural heritage. This could potentially shift some control over the governance of digital environments, currently dominated by BigTech companies, back to institutions historically responsible for documenting and preserving culture for future generations.

    Back in Brazil, Dalton tells us that during his visit to Leiden University in the Netherlands, following the meeting with the Palikur in Gothenburg, Sweden, he connected with local experts closely monitoring the technological solutions for digital cultural heritage in Europe. His colleagues wanted to talk about the innovations incorporated into the proposed model for decolonizing collections based on the open-source Tainacan software.

    “In conversation with colleagues about Europeana, we’ve observed that the primary challenge in evolving the process of aggregating cultural heritage collections is ensuring the quality of metadata from the integrated collections in their respective institutions. The plan to provide aggregation partners with integrated tools to support metadata enrichment, and to use the ActivityPub protocol in Tainacan to document dialogue with specific audiences, has proven to be an appealing proposal.”

    Dalton Martins

    Cultural heritage projects that involve direct collaboration / participation from the public are widespread in Europe. In Estonia, the submission of digital images by citizens is a common method for receiving/collecting new collections. These initiatives serve to enhance the museum’s visibility, attracting new audiences, and deepening the connection with its user community. By actively involving the public in the preservation and documentation of cultural heritage, museums foster a sense of ownership and engagement among their visitors, ultimately enriching the overall cultural experience for everyone involved.

    In this case as well, the creation of descriptions for items in the process of documenting the collection gathered from the public ceases to be the sole task of the museum expert. The process of “inclusive documentation” proposed by the initiative in Estonia integrates external information-gathering activities into the museum workflow. It begins with (1) Collection (items and information from the external public), continues with (2) Cataloging (by museum staff), and moves on to (3) Research and Additional Descriptions, a stage that can organize, correct, and supplement information about the items, comprising up to 80% of the documentation for each item*****.

    “What can a museum do to guarantee that the data, information and stories added by the public would have the historical source value throughout the time in the future? … While recording and storing information, we must also record and store the background data of the information to each description: the person who enters it; the time, the place and the situation of entering); and all the additional sources used in the description.”

    Description creation for museum objects in a digital environment. Co-creation – Kaie Jeeser (UH – University Heritage) – https://universityheritage.eu/en/description-creation-for-museum-objects-in-a-digital-environment-co-creation/

    Museums and other cultural memory institutions can reshape their role in modern society, becoming crucial hubs for addressing and solving key challenges in digital culture. To do so effectively, it’s vital for museums and their experts to leverage digital technology and internet connectivity in alignment with their technical and institutional goals.

    We will persist in our experimentation at IBRAM, with plans to launch the Mastodon instance “social.museus.gov.br” next week. Our motivation stems from the aspiration to build a social network infrastructure capable of accommodating public interest memory institutions. Here, data from museums’ interactions with their audience will be preserved, serving as a digital collection for research purposes.

    Also, it will be exciting to have the chance to configure the Fediverse’s social networking features to facilitate dialogue on updating the documentation of decolonized collections. We’ll keep you updated on this process here on the blog.

    References:

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/digital-decolonization-of-collections-innovation-broadens-the-scope-of-museums/

  • Decolonização digital de acervos: Inovação amplia o raio de ação de museus

    Decolonização digital de acervos: Inovação amplia o raio de ação de museus
    “…o desenho ilustra o deslocamento que ocorre no papel do museu, que sai da posição de produtor da verdade última sobre o acervo. Em seu novo papel de garantidor do espaço adequado para o diálogo sobre memória, o museu é um facilitador: desenvolve e implementa o ambiente para que este diálogo aconteça de forma aberta, transparente e documentada.” @daltonmartins@mato.social
    https://brasiliana.museus.gov.br/d…

    Com a implementação do Projeto Tainacan no âmbito do Programa Acervo em Rede do Ibram, e a ênfase que a gestão da presidenta Fernanda Castro colocou na capacitação do Instituto em operar de maneira autônoma sua estratégia digital, novas frentes de atuação surgem para os museus brasileiros. Diante de novos desafios, e contando com ferramentas atualizadas, podemos vislumbrar as transformações que a era digital traz para os modos de atuação dos diversos agentes no campo da memória, suas novas dinâmicas e formas de organização.

    Desde o lançamento da Brasiliana Museus em setembro de 2023, com a decisão de ampliar seu escopo para além dos museus do Ibram, e também o lançamento do novo serviço MuseusBR — apresentando a base do Cadastro Nacional de Museus, além do Painel Analítico e outros serviços a serem lançados em breve — o Ibram expandiu significativamente a oferta de serviços digitais para o campo museal. Esta possibilidade é resultado da efetivação, no Ibram, do “Modelo de Gestão para a Inovação em Software Livre“, concebido e operado para a realização do Projeto Tainacan no âmbito de uma instituição pública em parceria com a rede acadêmica.

    Neste contexto ocorre a viagem do Coordenador Geral da CGSIM do Ibram, Dalton Martins, para Gotemburgo na Suécia, com o objetivo de dar sequência em sua participação na pesquisa patrocinada pelo Departamento de Estudos Históricos da Universidade de Gotemburgo, em colaboração com o “Museum of World Culture” (Museu da Cultura Mundial em Gotemburgo — “um museu criado pelo governo sueco como parte de uma discussão sobre a identidade cultural local, e que se tornou um foco de discussões públicas”*) e a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).

    Trata-se de um projeto de “decolonização de bases de dados etnográficas”, que emerge a partir de um debate sobre “repatriação digital de coleções” iniciado na Europa por ocasião do incêndio que em 2018 destruiu o Museu Nacional no Rio de Janeiro. Merece destaque a estreita relação que o então “Museum für Völkerkunde” em Berlim e o “Göteborg Museu” em Gotemburgo mantinham com o Museu Nacional e outras instituições brasileiras desde a década de 1880, principalmente através da permuta de objetos de suas coleções para grandes exposições**.

    O Instituto Brasileiro de Museus é inserido no projeto em 2021, momento em que a Universidade de Gotemburgo recebe recursos aportados pelo “Europeana Research Grants Programme”***, o que resulta em relatório apontando a aplicação de repositório digital Tainacan — desenvolvida com apoio do Ibram — como ferramenta adequada para prover suporte tecnológico ao processo de decolonização de bases de dados etnográficas.

    Em 2022 aconteceu a primeira missão do projeto****, que levou cidadãos brasileiros da etnia Waiwai a uma visita in loco ao acervo do Museu da Cultura Mundial em Gotemburgo, na Suécia, em especial aos itens que dizem respeito aos povos originários brasileiros e ao seu povo específico. Os objetos foram coletados em 1925, e as informações sobre os itens são escassas. Para os Waiwai, reconhecer os objetos e ajudar a organizar a coleção, é importante por vários aspectos — “Muitos dos itens ainda estão sendo feitos hoje”, diz João Kaiuri, porta-voz dos Waiwai.

    Na missão realizada neste mês (mar/2024) na Suécia, representantes da etnia Palikur estão realizando o reconhecimento de seus objetos, assim como os Waiwai em 2022. Os pesquisadores brasileiros e europeus envolvidos no projeto debatem, à luz da experiência com os grupos brasileiros, o desenho operacional para a estruturação dos métodos e práticas de decolonização de acervos. O objetivo é criar um arcabouço para o compartilhamento digital de coleções de patrimônio cultural de museus com as comunidades originárias, e o projeto espera propor metodologia e práticas que sejam aplicáveis também a outras coleções e contextos.

    A participação do Prof. Dalton Martins na missão sublinha a importância do envolvimento do Ibram — e do Brasil — na concepção de soluções inovadoras para o campo museal, e para os acervos digitais, especialmente quando tratamos do tema da decolonização de acervos. Esta reflexão explora novas frentes de atuação para museus e especialistas em instituições de memória, agora como agentes organizadores de diálogos em torno de acervos — como uma curadoria de conversas em rede. A recente experimentação do projeto Brasiliana Museus com o Fediverso, e a oportunidade de explorar a possibilidade de ativa participação remota em processos museológicos online, fundamentam a proposta de modelo conceitual que o Ibram apresenta neste momento para os parceiros europeus, ilustrada no diagrama abaixo:

    O desenho do modelo conceitual ilustra o plano para a parceria, que envolve a criação de projetos piloto com a oferta de formação no uso da tecnologia Tainacan para cidadãos representantes das etnias envolvidas na colaboração com o “Museu da Cultura Mundial” de Gotemburgo — Waiwai, Palikur, Munduruku e Ticuna. O potencial de funcionalidades de IA e Machine Learning é facilmente incorporado ao Tainacan em função da arquitetura de plugins do WordPress, o que permite adicionar a tradução dinâmica de itens textuais dos acervos tratados ao fluxo proposto. Da mesma forma, o potencial de ativação do Fediverso fica disponível para ser usado na interconexão das equipes curadoras, e de grupos de pesquisadores interessados. O Coordenador-Geral Dalton Martins destaca o aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores na apresentação:

    “…o desenho ilustra o deslocamento que ocorre no papel do museu, que sai da posição de produtor da verdade última sobre o acervo. Em seu novo papel de garantidor do espaço adequado para o diálogo sobre memória, o museu é um facilitador: desenvolve e implementa o ambiente para que este diálogo aconteça de forma aberta, transparente e documentada.”

    Dalton Martins

    Na CGSIM/Ibram, entendemos que a possibilidade apresentada pelo protocolo ActivityPub de utilização de infraestruturas típicas das redes sociais, em um ambiente de difusão de informações na web independente de plataformas centralizadas (corporações internacionais), representa uma oportunidade para as instituições de memória de interesse público. Significa que aspectos de governança do ambiente digital que hoje são dominados de maneira monopolística pelas empresas BigTech podem, em alguma medida, voltar a estar ao alcance da gestão de instituições que através dos tempos estiveram à cargo de preservar a cultura para gerações futuras.

    De volta ao Brasil, Dalton nos conta que durante visita à Universidade de Leiden na Holanda, na sequência do encontro com os Palikur em Gotemburgo, Suécia, esteve em contato com especialistas locais que acompanham de perto as soluções tecnológicas para patrimônio cultural digital na Europa. Os colegas se mostraram surpresos com as novidades inseridas no modelo proposto para decolonização de acervos com base no software livre Tainacan:

    “Em conversa com colegas que acompanham o trabalho da Europeana, destaca-se que o grande desafio para a evolução do processo de agregação de acervos do patrimônio cultural é a qualificação dos metadados das coleções integradas em suas instituições de origem. O plano de prover aos parceiros de agregação ferramentas integradas para apoiar o enriquecimento dos metadados, e de usar o protocolo ActivityPub no Tainacan para documentar o diálogo com públicos específicos, mostrou-se uma proposta atraente.”

    Dalton Martins

    Projetos de patrimônio cultural que se abrem à participação direta do público são comuns na Europa. Na Estônia, o envio de imagens digitais por cidadãos constitui método recorrente para recepção / coleta de novos acervos. Tais iniciativas reforçam a visibilidade do museu, atraindo novos públicos e aprofundando a conexão com sua comunidade de usuários.

    Neste caso, também, a criação de descrições para os itens, no processo de documentação do acervo coletado junto ao público, deixa de ser tarefa solitária do especialista no museu. O processo de “documentação inclusiva” proposto pelos colegas na Estônia integra atividades externas de captação de informações ao fluxo de trabalho museológico. Inicia-se com a (1) Coleta (itens e informações provenientes do público externo), segue com a (2) Catalogação (pelo pessoal do museu), e passa para (3) Pesquisa e Descrições Adicionais, etapa que pode organizar, corrigir e suplementar informações sobre os itens, compondo até 80% da documentação para cada item*****. Tal processo parece desenhado para utilizar as funcionalidades integradas do protocolo ActivityPub com o repositório Tainacan.

    “O que um museu pode fazer para garantir que os itens, informações e histórias adicionados pelo público tenham valor histórico no futuro? Ao registrar e armazenar informações provenientes do público, devemos também registrar e armazenar os dados de contexto de cada descrição: quem a inseriu; hora, local e situação; e todas as fontes adicionais.”

    Description creation for museum objects in a digital environment. Co-creation – Kaie Jeeser (UH – University Heritage) – https://universityheritage.eu/en/description-creation-for-museum-objects-in-a-digital-environment-co-creation/

    Museus, e demais instituições culturais de memória, podem atualizar o seu papel na sociedade do século 21 e tornarem-se espaços estratégicos no esclarecimento e no encaminhamento de soluções para problemas críticos da cultura digital. Para isso, é importante que essas instituições e seus especialistas encontrem formas de operar a tecnologia digital e a hiper-conexão da internet em sintonia com suas prerrogativas técnicas e institucionais.

    No Ibram, seguiremos com a experimentação, e devemos criar a instância Mastodon “social.museus.gov.br” na próxima semana. Nos mobiliza a ideia de estabelecer uma infraestrutura de rede social em condições de abrigar instituições de memória de interesse público, na qual os dados da interação dos museus com seu público interessado fique também preservado, como acervo digital, e para pesquisa.

    Por outro lado, trata-se de uma novidade a oportunidade de configurar o ambiente e as funcionalidades típicas de rede social do Fediverso como ferramentas do processo de diálogo sobre a atualização da documentação dos acervos em decolonização. Novidades sobre este processo compartilharemos aqui mesmo no blog.

    Referências:

    Fonte original: https://brasiliana.museus.gov.br/decolonizacao-digital-de-acervos-inovacao-amplia-o-raio-de-acao-de-museus/